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O verdadeiro sentido da lei de Moore

Por Carlos E. Morimoto em 21 de março de 2011 às 16h30

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Em 1965, Gordon Moore (co-fundador da Intel) publicou um artigo constatando que a miniaturização vinha permitindo dobrar o número de transístores em circuitos integrados a cada ano (enquanto o custo permanecia constante), uma tendência que deveria se manter por pelo menos mais 10 anos. Em 1975 (precisamente dez anos depois), ele atualizou a previsão, profetizando que o número passaria a dobrar a cada 24 meses, cunhando a célebre lei de Moore.

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Na época ninguém poderia prever que em 2009 estaríamos usando PCs com processadores Core i7 e módulos de memória DDR3 em dual-channel, mas a previsão continua surpreendentemente apurada, acertando quase em cheio a cada nova geração. Basta fazer as contas:

8088 (1979): 29.000 transístores
486 (1989): 1.200.000 transístores
Pentium III Coppermine (1999): 21.000.000 transístores
Core i7 (2009): 731.000.000 transístores

Tamanha precisão pode soar realmente profética, mas a lei de Moore é mais um plano de negócios do que uma profecia. A realidade é que fabricantes de chips como a Intel precisam lançar novos processadores regularmente para alimentar o ciclo dos upgrades e manter assim as vendas em alta.

Cada nova geração precisa ser consideravelmente mais potente que a anterior, o que leva à busca por novos processos de fabricação. Por coincidência, cada nova técnica de litografia permite aproximadamente dobrar o número de transístores no mesmo espaço e, por questões econômicas (ciclo de lançamento dos produtos e outros fatores), os fabricantes conseguem reunir os investimentos necessários para atualizar as fábricas a cada dois anos.

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Em outras palavras, a lei de Moore tem se mantido precisa pois ela é uma fórmula simples, que cria um ciclo previsível de upgrades. Todo mundo gosta de um pouco de previsibilidade (empresas precisam planejar upgrades, fabricantes precisam planejar os próximos lançamentos, e assim por diante) e os ciclos de 24 meses oferecem exatamente isso.

Originalmente, a Lei de Moore não falava nada sobre o desempenho, mas apenas sobre o número de transístores em processadores, módulos de memória e outros circuitos. Entretanto, a sofisticação dos circuitos anda de mãos dadas com o desempenho, já que mais transístores significam mais unidades de processamento, mais cores, mais memória cache e assim por diante. Além disso, novas técnicas de fabricação permitem também aumentar o clock, o que resulta em mais instruções por ciclo e mais ciclos por segundo.

Isso levou funcionários da Intel a cunharem uma versão alternativa, prevendo que o desempenho dos processadores dobraria a cada 18 meses, outra previsão que vem se mantendo mais ou menos apurada, embora o uso de mais núcleos e mais unidades de processamento tenha tornado cada vez mais difícil extrair todo o desempenho dos processadores atuais.

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Naturalmente, os ciclos de 24 meses não continuarão indefinidamente, já que os processos de litografia irão eventualmente esbarrar nas leis da física, algo que deve acontecer entre 2015 e 2020.

Conforme os transístores ficam menores, eles passam a ser formados por menos átomos, o que torna cada vez mais difícil manter a integridade dos sinais, o que faz com que o desafio (e o investimento necessário) em criar a próxima geração seja exponencialmente maior que o da geração interior. Entretanto, não existe motivo para pânico, já que existem outras tecnologias no horizonte, como o uso de nanotubos e a eterna promessa dos computadores quânticos. Soluções criativas tendem a aparecer quando existe muito dinheiro em jogo.

Intel45nm

20 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 21 de março de 2011 às 16h30

Comentários

De volta às origens
por George Kihoma (anônimo) em 21 de março de 2011 às 17h12
Esse é o Morimoto, de volta às origens. Ainda lembro quando comecei a fuçar em computadores, com conhecimento zero (1995). Comecei a ler os artigos do Morimoto e fui aprendendo o suficiente para me virar sozinho. Fiz até curso onde o instrutor, no meio do curso, me convidou para ser monitor da próxima turma. Afinal eu montava 486 setando infindáveis jumpers (graças ao guiadohardware e ao ainda vivo cadê?) e na era dos P-2, P-3 e K-6II no máximo tínhamos q setar um ou 2 jumpers. Logo, logo comecei a atender meus clientes como técnico de manutenção. E como não poderia deixar de ser, comprei do guiadohardware meu primeiro live-cd linux, o Knoppix 3.2. Ainda tenho guardado até hoje. Usei o Kurumin por vários anos, até pouco antes da última versão quando migrei de vez para o Debian.
Mas sentia falta de material sobre hardware em linguagem acessível.
Traduzindo: é bom ter você de volta Morimoto, o guia do hardware.
+1 por Julio (anônimo)
+2 por Jean ( Leite Estragado ) (anônimo)
Pode soar meio estranho...
por Ednei P. de Melo em 22 de março de 2011 às 00h39
Pode soar meio estranho, mas acredito que a computação REALMENTE vai evoluir quando a Lei de Moore estagnar. Assim, os softwares e todas as tecnologias presentes terão que se reinventar, para aproveitar ao máximo o desempenho geral das CPUs, as quais terão as mesma capacidade de cálculo bruto igual daquelas lançadas à 4 ou 5 anos. APIs terão que ser redefinidas, os controladores terão que ser reprojetados e novos padrões serão criados... &;-D
Concordo por Sergio Ruy David Polimeno Valente (anônimo)
Teoria do consumismo
por onildo.henrique em 22 de março de 2011 às 08h42
Sempre achei que a "Lei de Moore" sempre fosse algo mais voltado ao consumismo do que a própria evolução.
Na computação é necessário a junção de hardware e software, no entanto o hardware avança a passos muito maiores que o software (pelo menos nos últimos anos), os processadores (os grandes responsáveis por essa evolução) foram os que mais evoluíram, saímos de um chip com poucos milhares de transistores em 1980, para um monstro com milhões de transistores e muitos núcleos internos.
Agora a pergunta, será que os softwares utilizam toda a capacidade do equipamento de hoje? Preciso trocar de PC a cada 2 anos? Será que eu realmente preciso trocar meu processador de 2 núcleos por um de 4 núcleos? Minha placa de vídeo com 2 anos de uso já chegou no seu limite?
Quer ver um cenário diferente? Os videogames, não passam de computadores dedicados a jogos, ficam no mercado por anos com o mesmo hardware, e os produtores de jogos tiram o máximo do equipamento no decorrer de sua vida útil, os mais antiguinhos se lembram dos primeiros jogos para Playstation 1 em 95? Eram um monte de quadrados com texturas, mas em 99 lembram de Tekken, Final Fantasy 8 e tantos outros jogos com excelente qualidade gráfica, tudo isso com um processador risc de 33 Mhz 2MB de RAM e 1MB de vídeo! E paralelamente se você quisesse jogar com o mesmo nível num PC, teria que ter no mínimo um Pentium II de 233MHz com 64 MB de RAM e uma Riva tnt ou Voodoo de 16 MB. Porque tanta diferença? Mesmo o PC tendo que rodar o sistema operacional e drivers, a discrepância é enorme...
Resumindo, na minha opinião, os profissionais de computação devem pensar sempre em atender a necessidade. A lei de Moore mostra que a indústria quer vender, os profissionais da área devem estar atentos e saber quando e o que comprar ou mudar.
Muito bom tema!
 
por Staionof (anônimo) em 7 de janeiro de 2010 às 19h19
O avanço da tecnologia esbarra na necessidade real.
Afinal que vantagem um Core I7 leva em relação a um Celeron D no MSN?
Quando foram lançados os Windows 95, 98 e XP, haviam duas opções para o usuários: continuar usando o sistema antigo ou fazer um upgrade no micro (ou até "de" micro) para utilizar o novo.
Hoje, quem precisa correr e atualizar o computador para testar o Windows 7?
Já se passaram quase 3 anos e ainda não apareceu nenhum jogo mais exigente que o Crysis, que já roda até no Celeron 3300.
Talvez, quando os dispositivos de saída do micro englobarem um projetor holográfico, então se faça necessário processadores mais potentes.

PS.: mas eu daria qualquer coisa para trocar meu C2Q6600 por um Core I7 (pura vaidade).
 
por Tony Bravo (anônimo) em 22 de novembro de 2009 às 18h36
Muito bom e deixa a gente a pensar e pensar...
Mas fugindo e ao mesmo tempo tentando lembrar...
Gostaria de ver o ferramentas técnicas 3... Será possível... Comprei o 2 e uso até hoje...
 
por AVF INFORMÁTICA (anônimo) em 19 de novembro de 2009 às 18h44
SMD - É um trabalho artesanal, mas pra quem gosta mesmo de Eletrônica é uma distração.Acho muito boa a Eletrônica Digital avançar.Agora, se os Componentes Eletrônicos ficarem Menores ainda,não vai ser necessário consertar Placas e sim Comprar uma Nova.
 
por ThiagoLCK (anônimo) em 17 de novembro de 2009 às 10h31
Ops, ele trabalhava na área de P&D da Fairchild, mas ele tem formação de Química.
 
por ThiagoLCK (anônimo) em 17 de novembro de 2009 às 10h30
"Muito bom artigo Morimoto. Isso prova que pra se ter verdadeiro sucesso financeiro no mundo da informática, não precisa apenas entender muito, tem de ter um espírito empreendedor! Assim como Moore, que já formulou essa ideia justamente pra vender mais!"

Gordon Moore sabia muito do que estava falando... ele foi engenheiro da Fairchild antes de fundar a Intel, e mesmo lá dentro a função dele era muito mais técnica e estratégica que administrativa.
 
por Ednei P. de Melo (anônimo) em 16 de novembro de 2009 às 23h46
Penso o contrário: vai ser "igual" fotografia analógica, pois antes das digitais entrarem em cena, ficaram por um bom tempo sem grandes novidades tecnológicas. Por outro lado, vai ser interessante acompanhar o ganho de desempenho por watts! &;-D
 
por O Onisciente (anônimo) em 16 de novembro de 2009 às 21h55
Muito bom artigo Morimoto. Isso prova que pra se ter verdadeiro sucesso financeiro no mundo da informática, não precisa apenas entender muito, tem de ter um espírito empreendedor! Assim como Moore, que já formulou essa ideia justamente pra vender mais!