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Um lugar para o Slackware

Por Carlos E. Morimoto em 1 de dezembro de 2010 às 20h17

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As distribuições Linux são um bom exemplo de ação da lei de seleção natural. Novas distribuições surgem praticamente a cada dia, mas poucas continuam ativas por mais do que alguns meses. O motivo é bastante simples: qualquer um com conhecimentos técnicos suficientes pode criar uma nova distribuição, tomando como base alguma distribuição já existente. Entretanto, apenas as que conseguem reunir um grupo suficientemente grande de usuários e desenvolvedores conseguem sobreviver a longo prazo.

Conforme o Linux passou a ser usado por cada vez mais pessoas e a atingir usuários com cada vez menos conhecimentos técnicos, as distribuições foram se tornando também cada vez mais fáceis de usar, atendendo ao público que quer apenas usar o micro, sem perder tempo configurando o sistema ou resolvendo problemas. Desde que não exista nenhuma incompatibilidade com o hardware da máquina, ou algum outro imprevisto, muitos distribuições praticamente se instalam sozinhas.

Entretanto, se você está interessado em se aprofundar e entender como o sistema funciona por baixo da superfície, este nível de automatização acaba sendo um obstáculo. É nesse ponto que chegamos ao Slackware que, justamente por ser uma das distribuições mais espartanas, abre brecha para falar sobre muitos detalhes que passariam despercebidos por uma distribuição mais automatizada.

À primeira vista, o Slackware parece ser um sistema extremamente complicado. Ele é uma das poucas distribuições Linux que ainda não possuem instalador gráfico e toda a configuração do sistema é feita manualmente, com a ajuda de alguns poucos scripts simples de configuração. Entretanto, o Slackware oferece um estrutura de arquivos de configuração e de pacotes muito mais simples que outras distribuições, o que o torna uma distribuição ideal para entender mais profundamente como o sistema funciona.

>Se as distribuições fossem carros, o Slackware seria o Fusca. Ele não possui nenhum dos confortos encontrados em outros carros atuais, mas em compensação possui uma mecânica extremamente simples, o que também o torna fácil de modificar e de consertar. É justamente por isso que o Slackware possui tantos fans, apesar da idade avançada. Ele é complicado na superfície, porém simples e confiável no interior.

Ele é também uma distribuição interessante para uso em PCs com poucos recursos, já que usa configurações bastante otimizadas na compilação dos pacotes e mantém poucos serviços ativados por padrão. Ele é uma das poucas distribuições que ainda podem ser utilizadas sem grandes percalços em micros com apenas 128 MB de memória RAM.

O Slackware é o exemplo mais proeminente de "distribuição de um homem só". Ele foi desenvolvido desde o início por uma única pessoa, Patrick Volkerding, que esporadicamente conta coma ajuda de outros desenvolvedores. Ele se encarrega de testar e incluir novos pacotes, aperfeiçoar o instalador e outras ferramentas e, periodicamente, lança uma nova versão incluindo todo o trabalho feito até então.

A primeira versão foi disponibilizada em julho de 1993 (época em que a instalação era ainda feita usando disquetes) e novas versões vem sendo lançadas uma ou duas vezes por ano desde então. A versão 11.0 foi lançada em outubro de 2006, a 12.0 foi lançada em julho de 2007 e a 12.1 (a mais atual enquanto escrevo) foi disponibilizada em maio de 2008. Uma curiosidade dentro da história do Slackware é que as versões 5 e 6 não existiram, já que a numeração pulou do 4.0 (lançado em maio de 1999) para o 7.0 (outubro de 1999), para acompanhar os números de versão usados no Red Hat Desktop (que era na época a distribuição mais popular), evitando assim que o Slackware parecesse desatualizado.

Embora tenha uma estrutura interna relativamente simples, o Slackware intencionalmente conta com poucas ferramentas de configuração e por isso é considerado uma das distribuições mais difíceis, já que quase tudo, desde as configurações mais básicas precisam ser feitas manualmente. Ao contrário da maioria das distribuições atuais, o foco do desenvolvimento é manter o sistema fiel às suas raízes, ao invés de tentar facilitar o uso automatizando funções. Mesmo a inclusão do suporte ao hal, um recurso utilizado pelo KDE (e também pelo Gnome) para detectar a inserção de pendrives e outros dispositivos removíveis foi intencionalmente postergado durante várias versões.

Em termos de configuração e detecção de componentes, o Slackware é uma espécie de denominador comum entre as distribuições: ele inclui apenas as ferramentas mais básicas, o que permite que você trace uma linha imaginária entre o que é detectado pelos serviços padrão do sistema e o que é automatizado por ferramentas específicas incluídas em outras distribuições.

Ao contrário do que se costuma ouvir, a instalação do Slackware pode ser tão simples quanto a do que a do Mandriva ou Fedora, o problema é justamente o que fazer depois da instalação. Quase nada é automático: som, impressora, montagem das partições, tudo precisa ser configurado manualmente depois. O "Slack" no nome significa "preguiçoso" no sentido de que o software não fará muita coisa por você. A proposta da distribuição é justamente lhe proporcionar problemas, para que você possa aprender pesquisando soluções para eles. Esta acaba sendo a principal limitação, mas ao mesmo tempo o diferencial que mantém a distribuição relevante.

48 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 1 de dezembro de 2010 às 20h17

Comentários

não é para iniciantes
por luizlmarins (anônimo) em 10 de dezembro de 2010 às 14h54
Só consegui usar Slackware com as dicas do Morimoto ... discordo que seja mais fácil para Windows.

Depois que pegar "o jeito", vai de boa. O que é chato nele, mesmo usando o Slapt-get, é o gerenciamento de pacotes".Se tiver um bom tutorial, a configuração direta nos arquivos acho mais fácil que no modo gráfico usando Debian.

Se quiser instalar o BrOffice vai ter que converter arquivos RPM, se não seguir as dicas aqui do Carlos, o iniciante não consegue não. A primeira vez que instalei, eu não sai do primeiro boot, parei na tela preta (rsrs) ...
O Slackware não é bem assim...
por Rodrigo Zimmermann (anônimo) em 2 de dezembro de 2010 às 08h29
Eu considero o Slackware como um sistema Linux fácil de ser entendido e compreendido, a documentação existente sobre o sistema é capaz de explicar até mesmo aos usuários leigos o funcionamento do sistema.

O Ubuntu por exemplo, ele é bem complicado por baixo do pano. Já o Slackware é simples, o sistema de inicialização não deixa dúvidas de como funciona (infelizmente, do Ubuntu eu não posso dizer o mesmo).

O Slackware mantém o diretório /etc (o diretório de configurações do sistema) bem organizado, limpo e fácil de entender. Já no Ubuntu, o diretório /etc é horrível de ser compreendido, a cada nova versão eles resolvem retirar algum arquivo de configuração ou mudá-lo completamente.

A inicialização do Ubuntu é algo que eu desconheço como funciona, já a inicialização do Slackware pode ser compreendida por qualquer um, até mesmo para um leigo.

O Slackware também tem suas automatizaçãos: o Cups, gerenciando as impressoras é um sistema muito automatizado; o Alsa gerenciando o sistema de som do PC também é bastante automatizado; o Sane gerenciando os digitalizadores é também bastante automatizado.

Nem sempre o Slackware será difícil de ser usado e configurado, em muitas tarefas, se comparado ao Ubuntu, ele é até bem mais simples.

Quando passei a usar Slackware, confesso que tive dificuldades, mas logo após aprender a usar o Slackware eu tenho um slogan:

ATÉ O SLACKWARE É MAIS FÁCIL DE USAR DO QUE O WINDOWS.
Discordo por Roger (anônimo)
Discordo também... por Koyuki (anônimo)
Discordo também...2 por Isaac Bahia (anônimo)
Eu nao discordo... por David (anônimo)
A preguiça e o preguiçoso. por Dragão da Montanha (anônimo)
 
por Alexandre (anônimo) em 8 de junho de 2010 às 23h30
@ scratred

Realmente tinha arquivo corrompido, por isso nao conseguia dar o boot.
Eu fiz outro dvd e deu certo. =]
 
por scratred (anônimo) em 6 de junho de 2010 às 23h31
correção:

*Alexandre
*corrompidos

Sempre é bom prezar pelo bom portugues bem "dizido". hehe.
 
por scratred (anônimo) em 6 de junho de 2010 às 23h28
Alecandre, o arquivo md5 serve pra conferir se os arquivos que vc baixou não estão conrrompidos, assim vc baixa o programa md5sum e confere se o numero do iso bate com a descrição do arquivo que vc baixou, se tiver alguma coisa conrronpida pode ser a causa do seu problema.
 
por Alexandre (anônimo) em 3 de junho de 2010 às 05h16
problema resolvido ! =]

Morimoto, consegui dar o boot,mas cfdisk nao puxa, ocorre um erro, tenho que fazer pelo fdisk, mas nao tenho muita experiencia, e tenho medo de zuar com a parte do Vista, estava usando o fdisk /dev/sda3 pra colocar o Slack, e penso o sda4 pro Swap, 10gb no 3 e 8gb no Swap, mas nao estou conseguindo configurar corretamente.

Onde eu vejo onde o Vista esta instalado?
 
por Alexandre (anônimo) em 3 de junho de 2010 às 02h41
Opa..muito bom esse blog teu Morimoto! Aprendi muito nele.

Ha alguns dias eu fiz o download do slackware 13.1, mas estou tendo dificuldades de gravar no DVD..tem o .ISO + 3 arquivos que vem com ele,que sao:

.asc
.md5
e um que mostra o conteudo do DVD.

Fiz um DVD usando so o .ISO, mas nao conseguia dar o boot para poder comecar a instalacao. Dai me disseram que eu tinha que colocar o arquivo .md5 no DVD, gravei outro, mas nao conseguia colocar o md5 e o .ISO juntos.

Estou usando o ROXIO Creator para gravacao.

Gastei 3 DVDse nao consegui dar o boot pra comecar o slackware.
Eu reinicio o pc com o DVD dentro e nada, coloco depois e tambem nao funciona.

Estou precisando de ajuda, talvez eu nao estou gravando corretamente o DVD ou esta faltando algum arquivo. Por favor me ajudem.

Eu fiz o download do torrent do site do Slackware mesmo.

Obrigado pela atencao.

alexandreulfeldt@hotmail.com
 
por Edilson Nascimento (anônimo) em 11 de março de 2010 às 17h14
Boa Noite, gostaria de saber qual a melhor distro para Servidores. Pois estou querendo instalar um servidor linux para VPN, mas não sei qual a melhor e mais facil deconfigura.
edilson1906@yahoo.com.br

Obrigado
 
por Neno Molina (anônimo) em 24 de novembro de 2008 às 20h53
Elias, 27 segundos de boot em que configuração de hardware?
Meu último contato com o Slack foi á pouco mais de um ano, quando montei, por simples sobra de tempo 9ou falta do que fazer, se preferir =P ), um 486-DX 2 com 24 MB de RAM e um HD de 600 MB ... por preguiça de procurar outras distros, fuçei numa caixa onde guardo centenas de CDs com centenas de distros (todas as versões do Kurumin principalmente), e acabei encontrando um CD com o Slack 9.1 ... prá adiantar a história: o 486 hoje serve como o único propósito de ser um emulador Atari, rodando todas as roms, com áudio, e se quiser, é só conectar o cabo de rede e navegar com o links ... simplesmente uma distro para quem quer aprender e aproveitar seu hardware antigo, com o boot em ... 20 segundos, acredite!!!
O Slack foi a escola de muita gente, e vai continuar sendo, mesmo que incluam gerenciadores de pacotes, scripts de detecção de hardwares mais avançados, etc.
O Slackware ficou, e o Yggdrasil se foi, para nunca mais voltar ...
 
por Elias Zoby (anônimo) em 19 de outubro de 2008 às 01h55
Alguém comentou aí que transforma-se o Fusca num BMW. É exatamente isso.

O meu Fusca/BMW vai do enter no Grub ao KDE ou Fluxbox disponível em 27 segundos, montando dois HDs ide cheios de partições (a swap é hdb9).

Contam que certa vez, numa estrada em Brasília, um policial rodoviário chamou outro pelo rádio e pediu que parasse um Fusca que tinha passado a 200 Km/h. O segundo guarda achou que fosse piada. Depois de convencido, foi pra estrada esperar o bicho. Era Nelson Piquet, de Fusca :)))

E o pessoal dos carros modernos, anda a 200 Km/h ou dá boot em 27 segundos?