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Por que 'Linux nos Desktops' deixou de ser um tema relevante

Por Carlos E. Morimoto em 17 de dezembro de 2008 às 18h30

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Muito se fala sobre a população do Linux e, com o crescimento do Ubuntu e de outras distribuições, parece que 2009 será finalmente o "ano do Linux" nos desktops, algo que vem sendo profetizado há muito tempo. Entretanto, uma análise mais cuidadosa revela que esta pode ser na verdade uma batalha perdida. Talvez isso soe estranho vindo de alguém que desenvolveu uma distribuição Linux ao longo de quase 4 anos, por isso deixe-me explicar melhor.

De certa forma, o Linux está "pronto para o desktop" desde 1994, quando foi feito o port inicial do Xfree86 e o sistema ganhou suporte a aplicativos gráficos. A partir daí, a questão passou a ser como atrair os desenvolvedores e os fabricantes de hardware para o sistema, de forma que ele fosse capaz de rodar os softwares populares e tivesse suporte a todos os componentes de hardware usados.

Entretanto, como bem sabemos, a adoção do sistema nos desktops foi muito mais lenta do que se esperava e em pleno final de 2008, a percentagem de desktops rodando alguma distribuição Linux ainda está abaixo dos 5% na maioria dos países. Este número deve crescer ao longo dos próximos anos, mas é improvável que o percentual ultrapasse os 10% antes do final de 2010.

Os números são muito diferentes do que temos nos servidores e nos dispositivos embarcados, onde o Linux supera o Windows em utilização em diversas áreas. Os servidores Linux são maioria entre os servidores de hospedagem e nos clusters, por exemplo. Com a popularização do cloud computing, a utilização do Linux nos servidores deve aumentar ainda mais nos próximos anos, aplicando uma pressão cada vez maior sobre o Windows Server.

No caso dos desktops que são o tema deste artigo, a batalha pode ser dividida em duas fases. A primeira fase foi a batalha pelos aplicativos, onde o que importavam eram aplicativos rodando localmente, como o Office, Photoshop, Corel, etc.

Esta primeira batalha acabou sendo vencida pelo Windows, que, como bem sabemos, conseguiu manter uma percentagem de uso nos desktops acima dos 90%, apesar da pressão exercida pelas diferentes distribuições Linux.

Embora existam muitos aplicativos de boa qualidade para Linux, como o Gimp e o OpenOffice, a maioria dos usuários acabavam sempre sentindo falta de alguns recursos ou aplicativos específicos e a maioria acabava voltando para o Windows. Sempre existia a possibilidade de rodar aplicativos e jogos através do Wine e do Cedega, mas quase sempre os aplicativos rodavam com perda de desempenho ou com falhas, o que fazia com que eles fossem utilizáveis apenas em casos específicos.

A batalha pelos aplicativos continuou até por volta de 2006, quando deu lugar ao segundo ato: a era da web. Nessa segunda batalha, os aplicativos desktop passaram a ser secundários e as atividades da maioria dos usuários passaram a ser centradas no uso do navegador, aplicativos online e comunidades. Aplicativos como o Office e o Corel deram lugar ao Gmail, Orkut, Flickr, etc. Um exemplo emblemático disso é o lançamento do Photoshop Express, que funciona via navegador.

Curiosamente, foi justamente a partir daí que o Linux passou a ganhar mais espaço nos desktops. A resistência passou a ser menor, simplesmente por que as pessoas passaram a usar menos aplicativos locais e acessar mais serviços através do navegador. As dúvidas mais comuns deixaram de ser sobre como encontrar aplicativos que substituem os disponíveis para o Windows ou sobre como rodar jogos no Wine e passaram a ser centradas em como configurar placas wireless ou modems 3G, ou como acessar determinados sites usando o Firefox.

Em última análise, para a maioria dos usuários hoje em dia, o sistema operacional tem uma importância relativamente pequena. Desde que consigam conectar na web, instalar o suporte a flash no Firefox e encontrem um programa de IM fácil de usar, estão felizes. A função do sistema operacional passou a ser de um mero coadjuvante e a atração principal passou a ser o navegador, que se tornou a plataforma onde rodam os aplicativos.

É bem provável que o uso do Linux nos desktops continue crescendo, possivelmente até superando o Windows em algum ponto (provavelmente na forma de algum sistema simplificado, que venha pré-instalado e permita executar tarefas comuns de forma simples), mas em última análise isso não tem mais tanta importância, pois os desktops estão condenados a se tornarem meros terminais de acesso à web. A verdadeira batalha está agora nos servidores e nos aplicativos via web, que são onde os dados são armazenados e onde os ciclos de processamento são realmente usados para coisas importantes.

Pode ser que uma antecipação deste cenário tenha sido o que levou a Red Hat a descontinuar o Red Hat Desktop em 2003, concentrando os esforços em torno do RHEL e nas soluções destinadas a empresas. Talvez estivessem certos afinal, já que a Red Hat já ultrapassou a marca dos US$ 500 milhões de lucro líquido em 2008, enquanto empresas como a Mandriva, que apostaram nos desktops, lutam para sobreviver.

Estudar Linux continua sendo importante para o desenvolvimento pessoal e profissional, pois hoje em dia o sistema é usado em quase tudo, de servidores de hospedagem, a centrais de VoIP com Asterisk, passando por todo tipo de roteador, servidores de arquivos, sistemas embarcados em geral, e assim por diante. É nessas áreas que o sistema realmente irá fazer a diferença daqui em diante. O uso nos destkops é apenas uma consequência.

Leia também: Uma breve história do Linux

Uma linha do tempo das distribuições Linux

Entendendo o Kernel

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162 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 23 de março de 2011 às 11h30

Comentários

 
por Luiz Carlos (anônimo) em 2 de dezembro de 2010 às 23h55
O mundo precisa do Linux, seja em Desktop's ou mesmo em Servidores, agora eu entendo a posição de Carlos E. temos que ver o futuro. Fico triste,pois acredito que o mundo precisa de um Linux bem Brasileiro... E o Kurumin Seria uma das melhores opções.
 
por sidneifair (anônimo) em 6 de maio de 2010 às 19h26
Olha sinceramente, eu conheço várias montadoras brasileiras que tentam empurra o Linux mas as pessoas trocam o sistema operacional para windows. Outra coisa a Microsoft dá abertura para piratear o S.O, sim é verdade. Acontece que lá fora nos USA e Inglaterra, lugares em que tive PC, isso não é motivo para as pessoas piratear o S.O nem usar o Linux, lá geralmente as pessoas usam ou Win ou Macintosh. Esse negócio de montar PC é coisa de Brasileiro, Indiano, Russo, dos emergentes, raramente Americano ou Inglês, ou se fazem é em uma empresa que irá colocar um S.O original com chave. Por quê? Existe fiscalização, o imposto é muito mais barato, o preço que vc paga é muito mais em conta do que aqui, inclusive do S.O,poder aquisitivo deles é melhor. Então o Linux só irá realmente crescer como S.O se, vejam bem se, nas escolas públicas ensinarem o Linux, isso introduzido nas disciplinas fundamentais. O linux é absoluto na ultilização em servidores e com certeza deverá ganhar mais algum espaço, principalmente no Brasil como Desktop também, talvez 10% em empresas e escolas.
 
por Alvin Almeida (anônimo) em 9 de abril de 2010 às 12h15
Morimoto, vc ainda sustenta a opinião? Minha questão se baseia na indisponibilidade de banda (não há nda de concreto sobre a universalizaçao da banda larga, tampouco a largura da mesma para áreas afastadas dos grandes centros) para fugir do Desktop. Como tb vemos a canonical apostando e dando certo com seu desktop, mesmo sabendo que esta não tem (nem pretende) o Desktop como fonte de renda.

A propósito, como anda a Mandriva, ainda em crise?

Miuto obrigado se puder sanar minhas dúvidas.
 
por MetalFederation (anônimo) em 23 de fevereiro de 2010 às 18h49
Porquê queremos usuários windows que não querem aprender nada usando o nosso sistema? Pra termos nossos fóruns empanturrados dos 5000 tópicos repetidos do tipo "como faço pra ver um vídeo no youtube? o diz que não tem o flash instalado... ajude pliss" e outros tonteiras do tipo.
E quem diz que o Windows é fácil? Trabalho com manutenção num parque de mais de 200 máquinas, 190 delas com Windows. Drivers de impressoras é uma tristeza nesse sistema. Driver de placa de rede então? Nem os que vem com o CD de instalação funcionam direito. Você precisa saber muita coisa de computação se quiser manter o seu sistema por mais de seis meses no sistema do Bill Gates.
Mas eu não sei se quero que eles aprendam. Como eu vou ganhar dinheiro extra extirpando os montes de pragas virtuais que o emule e o msn despejam nas máquinas deles? Só não reinstalo Windows. Se quiser, aprenda algo de informática e instale por si próprio. Ou seja mais esperto e migre pra um sistema de verdade.
 
por khullah (anônimo) em 3 de fevereiro de 2010 às 22h38
Sempre achei q a grande questao do Linux eh a usabilidade. Argumentos de que ele eh um sistema mais confiavel, mais rapido, etc etc etc, já sao bem conhecidos e aceitos. O mesmo vale para os defeitos da familia do tio Bill. Porem, mesmo para quem entende bem de computadores, migrar para Linux não eh facil, pois alem de mudar o paradigma de usabilidade (que tem la suas dificuldades, mas eh soh acostumar), não deixa claro este paradigma.
Acho q eh um erro perdoavel por parte dos desenvolvedores linux, pois se concentram tanto em fazer um sistema bom que acabam deixando de lado coisas q, a primeira vista, parecem triviais ou irrelevantes. Por outro lado, obviamente nao adianta focar nessas coisas e deixar a qualidade do produto de lado.
Para comparar, imaginem o maior genio do mundo, que sabe tudo, mas nao sabe ensinar. Ou a linguagem de programaçao mais poderosa, mas q eh tao dificil visualmente q eh impraticavel de programar. Ou o discurso mais lindo, verdadeiro e inteligente que alguem ja fez (a termos de conteudo), mas que escorrega em frases mal-formadas e palavras com pronuncia forçadamente errada. O que vale, no fim, é o conteudo, mas a forma também eh importante.
Eu, pessoalmente, desisti de usar Linux no momento em que tive que instalar um programa. A ideia toda era legal, mas acho o cumulo ter q digitar comandos inline para isso. Para mim não ha nada mais simples que clicar 2x em um instalador e pronto. E isso, faz toda a diferença.
Acredito entao que o ultimo passo para o Linux brotar fortemente no mercado eh aliar sua solidez e customizaçao com um pouco de sacarose para os usuários. Açúcar já seria doce demais.
 
por Carlos Nazareth (anônimo) em 19 de janeiro de 2010 às 20h09
"Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá."
Religião a parte, vejo isso no Linux, não importa se é melhor ou pior, se vão usar software pirata ou não, creio se houvesse união nos Linux's, melhoria mais a visão para o usuário de Desktop, as diversas distros atrapalha, a aceitação do Linux em desktop melhorou muito, mas poderá melhorar ainda mais.
 
por Carlos Eduardo (anônimo) em 12 de janeiro de 2010 às 11h40
Caro Katendo, empresas adotam o Linux pois ele é um sistema operacional muito mais customizável que o Windows.
Sei disso pois trabalho (e uso em casa também) com ele há dois anos, e quando o usuário é experiente, torna-se muito mais fácil utilizar Linux em vez do Windows.
O Linux, diferente do Windows, não te tranca. Você tem liberdade pra fazer o que quiser na máquina, e ele mantém a segurança dos arquivos, impedindo que algum malware destrua o seu sistema. (No Windows qualquer script VB destrói seu sistema)
E sobre esse negócio de "cópia do Windows", isso é mito, pois há várias interfaces gráficas utilizadas.
O problema é que ninguém desenvolve pra esse ótimo sistema operacional.
Quem desenvolve, desenvolve porque gosta da informática, porque quer ajudar a comunidade.
Quem desenvolve pro não Windows. Só querem ganhar dinheiro, e aí tem os que não sabem procurar alternativas open-source e compram.
Hoje não consigo mais mexer no Windows, me sinto trancado.
Cadê a shell?
 
por luiz (anônimo) em 12 de janeiro de 2010 às 08h32
Caros Linuxistas , creio que voces querem ganhar a batalha de mercado com bravatas , meu sistema é melhor , quem decide que o sistema é melhor é em ultima palavra o mercado, o grande problema do LINUX é que ele é feito por profissionais que gostam de tecnologia , e não pensão no mercado, desenvolvem o que é melhor tecnologicamente e não o que o mercado quer , resumindo falta visao de marketing ao linux , e um pouco de preocupação com facilidade de uso , por mais que o linux tente ser intuitivo , sua estrutura de configuração e instalação é muito confusa , mesmo os YUM e apt-get da vida são muito compicados e dão muitos erros , sou usuario de fedora e ubuntu , não sou um nerd , mas também não sou analfabeto de informática , já trabalhei com MS-DOS e Windows e sinceramente acho a maneira como o Windows organiza as coisas mais lógica racional e intuitiva , mesmo quando voce quer configurar as coisas manualmente acho muito mais facil , e creio também que um esforço de se construir uma base comum entre as distro linux , que permitisse a qualquer software house desenvolver um aplicativo autoinstalavel em qualquer sabor de linux , ou seja um método de instalação universal entre as distros , que garantisse que um aplicativo desenvolvido para o fedora por ex , pudesse ser instalado sem problemas em um debian , traria um grande incentivo ao linux
 
por Rafael (anônimo) em 28 de dezembro de 2009 às 19h29
E concordo com o Katendo, se um grupo de pessoas(a MS e o tio bill) já se trabalharam e se esforçaram tanto para produzir algo que facilite minha vida, porque diabos eu vou ficar me desgastando usando algo complicado e que não funciona?
Ficar matando um rinoceronte por dia no WINE para jogar algo que com apenas 2 cliques eu já estaria jogando, pra que?

Assim como será o Chrome OS(tendo em vista como é o chrome, pouco-configurável, mas extremamente rápido e faz tudo que é necessário sem complicar), se o google se matar de trabalhar para facilitar minha vida criando um SO rápido e que faz tudo que eu quero, porque eu não aceitaria?
Apenas por baboseiras de liberdade e pseudo-comunismo? Porque o chrome não usa licenciamento X ou Z?
 
por Katendo (anônimo) em 28 de dezembro de 2009 às 10h52
Não sei porque vou perder tempo aqui fazendo este comentário.
Porém lá vai, não aguento mais ouvir falar de Linux, um sistema que só serve para empresas gananciosas, pouparem centavos, pois ao intalar o linux os mesmos são obrigados a comprar ou fazer programas que compatibilize tudo ao Windows.Pois ninguém que precisa de produtividade usa linux. Sei lá acho que tem louco para tudo nesse mundo. O que seria do verde se não fosse o amarelo, várias frases idiotas assim existem, porém nenhuma justifica a existência do linux, um programinha que simplesmente COPIA tudo que os outros já inventaram. Só vou dar atenção para um OS quando não houver nenhum sinal de cópia ao Windows. Para encerrar, dúvido dos 10 porcento citados, acho que são numeros exclusivamente computados entre empresas.