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Kubuntu, Xubuntu, UNR e outros bichos

Por Carlos E. Morimoto em 28 de março de 2009 às 06h17

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Além do Ubuntu propriamente dito, que é mantido através da combinação dos esforços da Canonical e da Ubuntu Foundation, a família inclui diversos outros projetos menores, desenvolvidos de forma comunitária, como o Kubuntu, o Xubuntu e o Edubuntu.

Eles oferecem versões alternativas do sistema, que utilizam o mesmo repositório de pacotes, o mesmo instalador e mantêm as mesmas características básicas, mas incluem diferentes conjuntos de pacotes, atendendo a diferentes públicos. Vamos a uma explicação rápida sobre as outras opções disponíveis:

Kubuntu: A decisão da equipe do Ubuntu em utilizar o Gnome como desktop padrão, levou ao surgimento do Kubuntu (http://www.kubuntu.org/), uma versão derivada que tem por objetivo oferecer uma opção baseada no KDE.

A idéia do Kubuntu é manter as principais características do Ubuntu original, compartilhando do mesmo repositório de pacotes, utilizando uma versão levemente modificada do mesmo instalador e mantendo o uso dos mesmos serviços e utilitários básicos, mas substituir o ambiente de trabalho e os aplicativos por versões alternativas, baseadas na biblioteca QT.

Por ser desenvolvido por uma equipe menor e desfrutar de uma base de usuários igualmente reduzida, o Kubuntu acaba não recebendo a mesma atenção que o irmão mais velho, o que resulta em um número maior de bugs e de detalhes a corrigir depois da instalação. Apesar disso, se você gosta da proposta do Ubuntu, mas prefere o KDE, o Kubuntu pode ser exatamente o que está procurando.

A equipe do Kubuntu é também a responsável pelo desenvolvimento dos pacotes do KDE e de aplicativos baseados nele, que estão disponíveis no repositório Universe, garantindo que aplicativos como o Konqueror e o K3B possam ser instalados também sobre o Ubuntu, sem percalços, basta usar o apt.

Como de praxe, o volume de dependências ao instalá-los sobre o Ubuntu é considerável, uma vez que será necessário instalar também as bibliotecas do KDE, mas isso não chega a ser um grande problema para quem utiliza uma conexão de banda larga.

Se você preferir instalar o KDE completo, a melhor opção é instalar o meta-pacote "kubuntu-desktop", que instala um conjunto completo (pouco mais de 240 MB), contendo o KDE e o conjunto básico de aplicativos. A partir daí, ambos os ambientes ficam instalados e você pode escolher qual usar na tela de boot:

$ sudo apt-get install kubuntu-desktop

Se preferir um conjunto menor, apenas com os pacotes base do KDE, experimente instalar o pacote "kdebase". Acrescente sempre o pacote "kde-i18n-ptbr" na atualização, para que os aplicativos fiquem em português:

$ sudo apt-get install kdebase kde-i18n-ptbr

Uma vez instalados, os programas do KDE passam a aparecer também no iniciar do Gnome e vice-versa.

Xubuntu: O Xubuntu (http://www.xubuntu.org/) é uma versão "sem colesterol" do Ubuntu, onde o Gnome dá lugar ao XFCE. Em resumo, o XFCE é um desktop leve baseado na biblioteca GTK2, o que oferece um ambiente de trabalho até certo ponto similar ao do Gnome, mas utiliza ferramentas de configuração próprias e é composto por um volume muito menor de componentes, o que resulta em um melhor desempenho e um consumo de memória mais baixo.

Aplicativos GTK2 como o Firefox e o Gimp rodam de forma muito ágil sobre o XFCE. O grande problema é que aplicativos que utilizam componentes do Gnome ou do KDE acabam sendo penalizados, já que precisam carregar componentes e bibliotecas do ambiente correspondente antes de poderem ser abertos. Com isso, o ganho efetivo de desempenho de rodar o XFCE depende muito dos aplicativos que você utiliza.

Assim como no caso do Kubuntu, é possível instalar o XFCE e os demais componentes do Xubuntu sobre o Ubuntu padrão através do metapacote "xubuntu-desktop":

$ sudo apt-get install xubuntu-desktop

Com ele instalado, basta voltar à tela de login e inicializar uma seção do XFCE. Você vai perceber que a mistura deixará os menus um pouco bagunçados (já que o pacote apenas instala os aplicativos do Xubuntu, sem remover os aplicativos já instalados), mas de resto a transição é simples. Se não gostar, basta dar logout e voltar ao Gnome.

Ubuntu Studio: O Ubuntu Studio (http://ubuntustudio.org/) é mais uma derivação do Ubuntu, dedicada ao processamento de arquivos de áudio, vídeo e imagens. Ele inclui aplicativos como o Ardour e o Audacity (edição de áudio), o JACK (um servidor de áudio alternativo, de baixa latência), o PiTiVi e o Kino (edição de vídeo), Blender, Scribus e diversos outros. A página é a http://ubuntustudio.org/.

Além de instalar o sistema através das imagens disponíveis no site, é possível adicionar os componentes a uma instalação regular do Ubuntu instalando um conjunto de metapacotes:

$ sudo apt-get install ubuntustudio-desktop ubuntustudio-audio \
ubuntustudio-audio-plugins ubuntustudio-graphics ubuntustudio-video

Edubuntu: O Edubuntu (http://edubuntu.org/) é o braço educacional do Ubuntu, destinado ao uso em escolas de primeiro e segundo grau. Os dois grandes diferenciais são uma implementação bastante simples de usar do LTSP 5 e uma coleção de aplicativos educacionais, incluindo o GCompris (uma suíte educacional com atividades para crianças), o SchoolTool Calendar (um aplicativo de groupware destinado ao uso em escolas) e os aplicativos do KDE Education Project, que inclui títulos como o KStars (planetário) e o Kalzium (tabela periódica), sem falar no TuxPaint e outros aplicativos disponíveis no CD.

Incluir o suporte ao LTSP (tradicionalmente complicado de instalar) em uma distribuição destinada a ser usada por professores e voluntários pode parecer uma idéia estranha, mas na verdade se encaixa bem com a realidade da maioria das escolas, onde são usadas máquinas antigas ou com poucos recursos.

kubuntu-xubuntu_html_cff5b5e

O uso do servidor LTSP permite que elas sejam usadas como terminais, dando boot diretamente pela rede. Isso acaba reduzindo bastante o trabalho necessário para colocar o laboratório para funcionar, já que você não precisa instalar o sistema em cada uma das máquinas: basta configurar o servidor e configurar os terminais para darem boot através da rede, ajustando a ordem de boot no setup.

O trabalho da equipe do Edubuntu em simplificar a instalação do LTSP acabou dando origem à opção "Instalar um servidor LTSP", que fica disponível na tela de boot das versões recentes do Ubuntu.

É possível também evocar o script de instalação com o sistema já instalado (funciona também no Kubuntu e nos outros membros da família) instalando os pacotes "ltsp-server-standalone" e "openssh-server" e em seguida executando o script "ltsp-build-client":

$ sudo apt-get install ltsp-server-standalone openssh-server
$ sudo ltsp-build-client

Medibuntu: Diferente dos outros, o Medibuntu (http://www.medibuntu.org/) não é uma distribuição, mas sim um repositório de pacotes, destinado a distribuir codecs e outros pacotes de distribuição restrita (como o Acrobat Reader e o Skype) ou com disputas relacionadas a patentes (como o Mplayer), que não podem ser incluídas na distribuição principal por questões diversas. Graças à equipe do Medibuntu, eles podem ser instalados sem dificuldades em todas as distribuições da família, depois de adicionado o repositório no sources.list.

Ubuntu Netbook Remix (UNR): Este é o caçula da família: uma versão do sistema otimizada para uso em netbooks baseados em processadores Intel Atom (http://www.canonical.com/projects/ubuntu/unr).

Ele mantém o uso do Gnome e dos demais componentes do Ubuntu tradicional, mas adota um novo lançador de aplicativos e diversas pequenas mudanças para facilitar o uso em telas pequenas:

kubuntu-xubuntu_html_278959fd

Ele inclui também um conjunto de otimizações para reduzir o consumo elétrico do sistema e tirar o melhor proveito dos recursos de hardware dos equipamentos, mas o uso de processamento e o consumo de memória não são muito diferentes dos do Ubuntu padrão, o que em um netbook com um Atom de 1.6 GHz significa um desempenho mediano, na melhor das hipóteses.

A grande ênfase do projeto está no uso por parte dos fabricantes, para que o sistema venha já pré-instalado nos equipamentos, o que é uma medida bem positiva considerando a baixa qualidade de algumas distribuições que são usadas por muitos integradores.

Além da própria Canonical, o projeto tem o apoio da Intel, que tem investido também no desenvolvimento do Moblin (http://moblin.org/), uma distribuição Linux otimizada para uso em MIDs com processadores Intel.

15 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 21 de março de 2011 às 16h45

Comentários

 
por Agustinho (anônimo) em 6 de agosto de 2009 às 11h10
Primeiramente parabenizar o Marimoto pela matéria.
Excelente!
Assim como os outros artigos, tem nos ajudado muito no aprendizado.
Sobre o que o Manoel sugeriu acima, sou da opinião de que se isto descaracterizaria o linux, visto que o mesmo é um software livre.
 
por Manuel de Jesus - EPA (anônimo) em 5 de abril de 2009 às 17h18
Sou usuário de conhecimentos intermediario do Lunix. Tenho mais de dois anos de estudos e utilização do SO e resolvi definitivamente adotar o Ubuntu, depois de conhecer várias. Mandriva, Open suse, familix, kurumim etc. Apostando na segurança e na estabilidade, me tornei adpto e usuario do pinguim. O windows pirata só uso para aplicações que sou forçado a usar por não encontra-las no linux. Gostaria de vez mesmo era de esquecer que existe Win, mas fazer o quê. Agora a minha crítica e sugestão ao pessoal do linux. Acho que o mesmo não se torna mais conhecido do usuário doméstico pois a variedade de distribuições confundo um pouco os usuários. Acho que se houvesse uma política global de abolir as tantas variações e o mundo inteiro se especializar, implementar e divulgar somente uma (ubuntu seria otimo) aí sim o linux sairia do armário e seria mais utilizado por todos, Deveria tambem ser colocado um passo a passo de como instalar programas, pois ainda tenho muita dificuldade em usar os comandos do console.
 
por Jonathan Lopes (anônimo) em 2 de abril de 2009 às 03h14
Alguém sabe me dizer se a nova família "Ubuntu" já suporta as placas de rede gigabit nativamente? Tenho em casa meu pc com chipset SiS 191 e outro com um da Marvell Yukon.

(sei que chipset SiS naum vale nada, mas é o que tenho no momento :P)
 
por Rafael de Almeida (anônimo) em 31 de março de 2009 às 03h57
Wesley, acho mais interessante você perguntar em um fórum.
 
por felipecotta (anônimo) em 31 de março de 2009 às 01h36
Olá, parabéns Morimoto escrevendo excelentes artigos (como sempre).
O artigo é interessante, eu não sabia que o Edubuntu tinha foco no LTSP (eu dei aula em um telecentro lá usavam Fedora 8) e vi que tinha que fazer Ns configurações para configurar um servidor (Claro depois que funciona, ñ dá problema mais) e via como isso era importante, pois as máquinas (eram MUITO antigas pentium 233MHZ, 64Mb de ram) e via se não fosse o Servidor simplesmente não funcionaria.
 
por André Gondim (anônimo) em 30 de março de 2009 às 11h14
Ótimas dicas como sempre!!

Abraços!! ;)
 
por Wesley (anônimo) em 30 de março de 2009 às 04h02
Olá amigo..

Preciso de uma orientação sua.

Tenho duas máquinas XP sp2 conectadas apenas em um cabo de RJ45 invertido para conexão ponta a ponta. Com a conexão correu tudo bem, as duas máquinas estão conversando entre si, posso acessar documentos, impressoras e internet (modem DSL speedy). O problema é que o MSN não abre, da um erro 8100036 e o outlook tbm não envia e nem recebe e-mail. O que devo fazer para dar tudo certo??
 
por edimilsonstangret (anônimo) em 30 de março de 2009 às 01h53
Muito bom!ganhei uma instalação que tem no menu iniciar/sessão gnome ou kde preferida minha e meus filhos preferem a gnome basta trocar de usuario e cada um usa a sua ou troca tambem!ha e no grub tenho o velho kurumin..graças ao francisco A C lima muito Fã do Morimoto!!!
 
por Alexandre Bini (anônimo) em 29 de março de 2009 às 10h59
Também me esclareceu várias dúvidas...

Valeu Morimoto!
 
por xxx@xxx.com.br (anônimo) em 28 de março de 2009 às 17h18
um trabalho já foi publicado antes, muito parecidamente com este.

Mas tá bonzinho...