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Uma introdução ao KDE 4

Por Carlos E. Morimoto em 17 de março de 2009 às 21h30

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O KDE 4 representa uma grande mudança de paradigma em relação ao KDE 3.5, trazendo mudanças fundamentais na maneira como o desktop se comporta e é organizado. Ele começou com o pé esquerdo, com o lançamento do KDE 4.0, que apesar de ser considerado uma versão de testes, acabou ganhando status de versão oficial, sendo incluído em diversas distribuições e chegando aos usuários finais, que passaram a ter problemas diversos e a criticar o novo ambiente.

As críticas se estenderam à imprensa e ganharam força com comentários ásperos até mesmo de muitos usuários antigos. De certa forma, a recepção do KDE 4 foi parecida com a do Windows Vista. O 4.0 foi seguido pelo KDE 4.1, uma versão mais funcional, com menos bugs óbvios e uma interface mais consistente.

Mesmo sendo o segundo release oficial dentro da família, o KDE 4.1 ainda apresentava mitos problemas de estabilidade e muitas inconsistências óbvias, que não seriam de se esperar em uma versão oficial. Isso fez com que o sistema continuasse recebendo críticas e perdendo usuários, incluindo o próprio Linux Torvalds, que em uma entrevista confessou que havia migrado para o Gnome depois de enfrentar problemas com a versão do KDE 4 usada no Fedora 9.

As coisas começaram a entrar nos eixos com o lançamento do KDE 4.2, que resolveu a maior parte dos bugs das versões anteriores, se tornando finalmente um ambiente à altura de substituir o KDE 3. Podemos dizer que o KDE 4.0 foi uma versão Alpha, com bugs óbvios, o KDE 4.1 foi uma versão Beta (com menos problemas mas ainda longe de ser estável) e que o KDE 4.2 é um release candidate, que ainda possui alguns problemas, mas que no geral pode ser finalmente considerado estável.

Não é à toa que o Slackware 12.2 manteve o uso do KDE 3.5 (evitando todo período ruim de transição) e que a equipe do Debian foi ainda mais conservadora, mantendo o uso do KDE 3.5 no Lenny e adotando o KDE 4 apenas a partir do Squeeze, que será lançado apenas no final de 2010.

O Mandriva adotou o KDE 4.2 no 2009.1, o que o tornou uma atualização muito esperada em relação ao problemático Mandriva 2009.

A base da interface do KDE 4 é o uso de widgets (chamados de plasmóides) como elementos visuais no desktop. A idéia central é oferecer uma evolução do tradicional conceito de ícones, permitindo que você equipe seu desktop com mini-aplicativos diversos, que mostrem informações importantes, permitam acesso rápido a funções diversas, ou que simplesmente atuem como elementos decorativos.

As funções centrais de adicionar novos widgets e ajustar as opções são acessíveis através do ícone no topo da tela. Basta usar a opção "Adicionar widgets. No menu estão disponíveis diversos aplicativos, como a lixeira, relógio analógico, monitor de bateria, calculadora, lançador de aplicativos e assim por diante. Os widgets podem ser desenvolvidos em diversas linguagens, o que garante que opções de enfeites não vão faltar:

kde4_html_3bac2643

Ao clicar no "Instalar novos widgets" você tem acesso a uma janela alimentada pelo KNewStuff, que permite obter novos widgets a partir de diversas fontes, em um sistema que lembra um pouco os complementos do Firefox.

Os widgets lembram um pouco as barras do antigo Superkaramba (que permite criar efeitos de transparência no KDE 3.x), criando janelas e menus transparentes, que podem ser posicionados livremente sobre a área de trabalho, mas o novo sistema é bem mais flexível e poderoso, com widgets renderizados em SVG, que podem ser redimensionados e movidos livremente.

Essa flexibilidade dá uma sensação de fragilidade, como se qualquer clique acidental pudesse desconfigurar completamente o desktop, mas depois de organizar os widgets você pode usar a opção "Bloquear widgets" para travar as posições.

De acordo com a configuração, o KDE 4 pode exibir os ícones no desktop, da forma usual, ou pode eliminá-los completamente, exibindo apenas os plasmóides. A configuração é acessada clicando com o botão direito sobre a área de trabalho:

kde4_html_3bafafb3

No KDE 4.1, a opção de exibição de pasta apenas adicionava um plasmóide com uma janela transparente do gerenciador de arquivos, mas no 4.2 a exibição de ícones "reais" foi restaurada.

Um recurso interessante é que ao usar a exibição sem ícones, o sistema se encarrega de criar um novo widget automaticamente quando você tenta arrastar um ícone do iniciar para o desktop, criando um widget que se parece com um ícone de atalho.

Diferente do KDE 3, onde a barra de tarefas era um aplicativo separado, no KDE 4 ela é apenas mais um plasmóide, assim como todos os demais elementos da tela. Por default, todos os elementos da barra, incluindo os ícones de atalho ficam fixos e você não consegue mudar nada de posição. Para personalizar a barra, clique no ícone do plasma do lado direito. Ele abre uma barra adicional, com as opções de edição:

kde4_html_m7f90b94b

Enquanto a barra estiver aberta, você pode mover os ícones, alterar o alinhamento e fazer outras personalizações livremente. Ao terminar a edição, basta fechar a barra e os ícones ficam novamente presos.

O mesmo se aplica a muitos dos menus de configuração. Para configurar as opções da barra, fazendo com que os aplicativos não sejam mais agrupados e com que a barra exiba apenas os aplicativos da área de trabalho atual, por exemplo, você deve clicar no widget de configuração e só depois clicar com o botão direito sobre a barra para ter acesso à opção de configuração:

kde4_html_m278eb4ca

O KDE 4 é um projeto bastante ambicioso, que demorou para atingir a maturidade. Por ser radicalmente diferente da versão anterior, as mudanças provavelmente nunca irão agradar a todos. Entretanto, acertando ou errando, as mudanças mostram que os desenvolvedores estão em busca de novas idéias e novos conceitos para a melhora da interface, o que é sempre positivo.

Ironicamente, um dos grandes obstáculos ao KDE 4 foi justamente o grande sucesso do KDE 3.5, que ao longo de sua evolução se tornou um ambiente extremamente estável, leve e flexível. Ao tentar portar todas as funcionalidades para o KDE 4, os desenvolvedores se depararam com um trabalho árduo, que explica as dificuldades com o KDE 4.0 e o 4.1.

Embora a biblioteca QT 4 ofereça um consumo de memória mais baixo que a QT 3 (usada no KDE 3.5), o novo sistema de renderização do KDE 4 e o uso do plasma aumentaram consideravelmente o consumo de memória e de processamento em relação ao KDE 3.5, um problema que ainda deve demorar a ser resolvido. Felizmente, temos hoje opções como o XFCE e o LXDE (sem falar no próprio KDE 3.5, que continua sendo usado em diversas distribuições) que atendem a quem precisa de um ambiente mais leve.

38 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 23 de março de 2011 às 11h14

Comentários

 
por Samuel (anônimo) em 21 de janeiro de 2010 às 11h01
Já usei o KDE 4.2 no SUSE 11.1 e gostei bastante, apesar de o Gnome também ser bem funcional. Por enquanto uso tanto um como o outro.

Mas é muito bom que os desenvolvedores estejam incorporando novas funções, o Linux esta ficando cada vez melhor!
 
por Julio (anônimo) em 9 de maio de 2009 às 09h05
Decepção com o KDE 4, testei varias distros de 2009, Mandriva, Suse, Kubuntu, todos travaram no Eee pc, em 2 modelos de noteboock da Acer, o que me lembrou em muito um Sitema Operacional cheio de SP da vida. Resumindo nem tudo que é novo é melhor, como não gosto do Gnome que me lembra o Ruindows 95, voltei para o Mandriva 2008.1 Spring.
Espero um dia que o KDE 4 seja Alfa, pois pelo jeito "Alfa" e SP 2, 3, 4.... estão parecendo a mesma coisa.
 
por miranda (anônimo) em 2 de maio de 2009 às 11h56
É...uma vez usando KDE, KDE sempre. Pelo menos pra mim.

No entanto sair do 3.5 tá meio difícil. Uso o OpenSuSE 11.0 e estou usando o 4.2.2 apenas para testa-lo e pelas minhas experiencias acredito que para um usuário iniciante ele esta maduro o suficiente para ser usual, agora pra quem vem do 3.5 fica meio "engessado" no 4.x.
Digo isso pela falta de alguns aplicativos (tá, só instalar do 3.5 mas não gosto de 2 "QT's" no meu sistema), pela pouca versatilidade nas configurações (vide kicker) e por alguns bugs bem safadinhos tipo: Os ícones na área de notificação (tray) simplesmente não aparecem, pra quem usa algum aplicativo que quando minimizado cai pro tray já era a aplicação.
Embora esse bug acredito que seja do OpenSuSE, de repente seja por estar instalado no 11.0, ou por causa do KDE 3.5, sei lá. Digo isso porque testei o Mandriva live com o 4.1 e não vi esse problema.

Vou continuar com bom e velho 3.5.10 mesmo ate que não tenha mas para onde correr, porque uma vez KDE, KDE sempre ;)
 
por felipefsc (anônimo) em 24 de março de 2009 às 16h30
Bom... vou dar a minha opnião... já que eu prefiro o KDE do que qualquer outro ambiente gráfico livre.

Eu atualmente uso o KDE 3.5.9 no meu Kubuntu 8.04 e estava já usando ele quando testei o kubuntu 8.10 em meu pc de testes. Realmente fiquei muito decepcionado com a performance do KDE 4.0. Totalmente bugado, travando, reiniciando o X toda hora e etc.

Fiquei então sabendo que era a versão de testes ainda, apesar do nome 4.0. Com isso fiquei aliviado, afinal ainda era uma versão de testes. Nem cheguei a ficar um dia com ele, devido aos bugs...

Depois testei com o Mandriva, agora como 4.1. Realmente, melhorou bastante, mas ainda apresentava alguns bugs, como icones trepando no outro na área de notificação e etc. Usei por um tempo mas nao gostei.

Agora, estou apenas esperando o Kubuntu 9.04 para testar o KDE 4.2 e tirar minhas conclusões. Pelo que tenho lido pela Web e no fórum GDH, ele está mto melhor... e assim eu espero.

Mas, por enquanto, vou ficar com o meu KDE 3.5 mesmo, afinal, eu sou mais reservado, prefiro algo funcionando sem problemas do que uma travando toda hora.... porém, torço para que esteja enganado quando testar o KDE 4.2.

Abraço a todos!
 
por Guto Rodrigues (anônimo) em 24 de março de 2009 às 13h31
galera !!! vai aí meu humilde comentário... fiquei afastado do mundo Linux durante uns 3 anos mais ou menos, não só de Linux mas de computadores, a última distro que usei foi slackware 10.0, mas o coração ja estava gritando de vontade de rever o velho slack e então voltei usando o slack 12.2 com kde 3.5, maravilha !!! perfeito, então ouvi falar do kde 4.2, fiquei curioso pq sempre gostei do kde !!! queria ver as inovações, instalei e não me arrependi, completamente estável, elegante, e de uma usabilidade e facilidade de configurações que relmente me impressionaram, tô satisfeito e tenho certeza que a próxima versão virá ainda melhor, mal vejo a hora !!!
 
por gilvane (anônimo) em 20 de março de 2009 às 12h36
O que mais me desagradou no KDE4 foi a questão dos widgets que eu não conseguia controlar, e deixar aquela cortina com nome de área de trabalho na tela não ajudou em nada.
 
por Slax#root (anônimo) em 20 de março de 2009 às 11h52
vou de kde 3.5 , mais prefiro gnome , prefiro usar xfce do que o kde 4
 
por Bladistone (anônimo) em 20 de março de 2009 às 10h19
Acho que da forma em que as coisas estão indo com muita sorte, o KDE4 la pela versão KDE4.4 ou 4.5 deva esta completo e tão bom quanto o KDE3.5

O Kde4 é um erro começou errado e vão remendando ele ate ficar usavel de fato... é quase um "Winsta" é acho que a equipe do KDE ficou com tanto medo do Winsta que quiz imitalo, bonito, bugado, incompleto e pesado... so que quando alguem da comunidade linux se propoem a fazer algo é completo... Então a M3rd@ que a MS tentou fazer no Winsta e não conseguiu, a galera do KDE fez a M3rd@ completissima... Cagou do inicio, meio e fim....
 
por MaxRaven (anônimo) em 19 de março de 2009 às 19h20
Primeiro deixa eu me desculpar pelo envio +/- duplo ali em cima, só vi agora isso, pior que nem sei pq enviou antes deu terminar de escrever, vai ver que era pq eu estava no windows falando de linux hahaha, protesto de algum programa da MS.

@JulioCBM
É, eu tbm gostaria que a coisa voltasse como era a uns anos atras, muito mais fácil para qualquer um saber o que usar ou não. Mas a coisa se prostituiu de tal forma que chega ao cumulo de ter versão nomeada como beta sendo padrão "eterno" para distribuição e não é só no mundo linux, é por todos os lados. Quanto a Google, se der xabu nos betas dela eu estou lascado, sou usuário de carteirinha das aplicações deles, acho que só o navegador que não me empolgou, justamente o único que saiu do eterno beta.

Quanto a relação empresas/distribuições, não só as que tem corporações andam de rusgas, até mesmo aquelas que tem pouco haver com o mundo corporativo tbm tem seus quebras paus, muitas vezes internos, mas tem, sem contar as cutucadas que aparecem na internet de vez em quando.

E quanto a ter um empresa por trás, não vejo mal algum, desde que ela entregue um produto bem acabado, de qualidade e que conte com tudo que quem for usar precise, inclusive acho muito justo cobrar por isso, mesmo sendo SL, mas, infelizmente, não é o que vejo, vejo promessas, mas na hora H sempre tem um monte de arestas a serem aparadas. Até por isso sonho com o dia que uma empresa pegue o kernel, algumas aplicações e crie algo totalmente diferente do que vemos por ai hoje em dia, contudo sei que não passa de um sonho, pois, da forma que está, é bem comodo para as empresas que atuam neste setor no momento.
 
por Ricardo Macedo (anônimo) em 19 de março de 2009 às 09h52
Acho que é por que no fundo é isso que as pessoas querem. Querem uma empresa por trás, desenvolvendo o sistema e lançando as versões de maneira previsível, como no caso da Microsoft. O modelo open-source não funciona nos desktops, perda de tempo ficar esperando que os usuários contribuam com alguma coisa.