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Instalando o Kurumin em micros antigos
Por Carlos E. Morimoto em 18 de janeiro de 2007 às 14h15
0Ao instalar o Kurumin em micros com pouca memória (principalmente no caso de micros com 64 MB ou menos), o primeiro passo é criar uma partição swap no HD. Para isso, inicie o sistema usando a opção "kurumin 2" na tela de boot.
Isso fará o Kurumin dar boot em modo texto (já logado como root), o que consome cerca de 18 MB de memória, dando boot pelo CD. Isso vai permitir que você consiga dar boot em um micro com 64 MB, mesmo antes de criar a partição swap.
Use o "cfdisk" para criar a partição swap. Lembre-se que ao criar uma nova partição e acessar a opção "type", pressionando Enter 3 vezes, ela é automaticamente definida como uma partição swap. Você pode aproveitar para criar também a partição para instalar o sistema.
Antes de poder usar a partição swap, é preciso formatá-la como tal. Você não precisa se preocupar com isso durante a instalação, pois o sistema o faz automaticamente. Mas, como o objetivo é que a partição esteja em uso antes de iniciar a instalação, precisamos usar o comando "mkswap", indicando a partição swap criada, como em:
(onde o /dev/hda2 é a partição swap criada)
Com a partição swap criada, reinicie o micro e use agora a opção "kurumin desktop=install" na tela de boot. Ela faz com que o sistema abra diretamente o instalador, sem passar pelo carregamento do KDE.

Você pode economizar mais um pouco de memória desativando também o suporte a 3D e o suporte a impressão. Para isso, adicione as opções nocups e nodri:
kurumin desktop=install nocups nodri
O ponto mais crítico ao instalar em micros com pouca memória é justamente o boot pelo CD, já que o sistema consome bem mais memória ao rodar pelo CD do que instalado. Daí a necessidade de primeiro criar a partição swap. Ao dar boot em micros com menos de 196 MB, você recebe uma mensagem avisando que o PC não atende os requisitos mínimos. Ela é apenas um aviso, não deve ser levada ao pé da letra.
Durante a instalação, duas dicas são usar o cfdisk ao invés do gparted (que demora bastante para carregar em um micro com 64 MB) e não tentar editar o arquivo de configuração do grub, o que faz o instalador abrir uma janela do kedit que também pode demorar um pouco a abrir. Também é recomendável formatar a partição de instalação em EXT3 ao invés de ReiserFS, pois ele utiliza menos processamento, o que é importante em micros com poucos recursos.
Com a instalação concluída, reinicie o micro, espere o primeiro carregamento do KDE e faça a configuração inicial usando o assistente de primeiro boot. Aproveite para usar novamente a opção para desativar o suporte a impressão, mostrada no final do assistente. Ao usar a opção "nodri" na linha de boot, o suporte a 3D continua desativado depois na instalação, por isso não precisa se preocupar em desativá-lo também.
É possível economizar mais um pouco de memória desativando alguns recursos do KDE. Comece desativando todos os programas que ficam residentes, incluindo o Kmix, o Knemo e outros. Deixe apenas o relógio. Abra a pasta /home$USER/Autostart, onde ficam ícones para aplicativos que são abertos junto com o KDE. Remova o Kmix e outros programas não essenciais.
A segunda parte é desativar componentes e recursos desnecessários dentro do Kcontrol. Desative todos os efeitos visuais, efeitos de menus, transparências, exibição de dicas, exibição de ícones nas barras e títulos, etc. Mantenha apenas o anti-alising de fontes, um recurso importante para a legibilidade das fontes e que consome poucos recursos do sistema.
Desative o uso de papel de parede na opção "Aparência e temas > Fundo de tela". Um arquivo .jpg de 1024x768 consome entre 1 e 2 MB de memória, o que faz diferença em micros com apenas 64 MB. Use uma cor sólida ou uma mistura de duas cores como fundo. As opções "Stonewall 2 por Tigert" e "Pirâmide" geram um efeito de fundo interessante misturando duas cores, sem consumir uma quantidade significativa de memória.
Desative os desktops virtuais, na opção "Área de trabalho > Múltiplas áreas de trabalho". Cada desktop virtual consome cerca de 2 MB de memória; usando 4 desktops, por exemplo, você desperdiça 6 preciosos MB.
Desative o servidor de som do KDE (arts) na opção Som e Multimídia > Sistema de som" (caso ativado), ele consome quase 4 MB de memória. Configure os aplicativos que usam a placa de som para usarem diretamente o driver Alsa ou OSS, ou acessarem diretamente o dispositivo de som.
Desative o Firestarter ou qualquer outro firewall gráfico. Se precisar manter o firewall ativo ou compartilhar a conexão, faça a configuração usando o Kurumin-firewall ou diretamente através das regras do Iptables.
Abra o Konqueror e marque a opção "Ver > Pré-Visualizar > Desabilitar Pré-visualizações". Esta opção consome muita memória, pois mantém carregados visualizadores para vários tipos de arquivos. Desabilite também o uso de uma imagem de fundo e outras opções visuais que encontrar.
Desative todos os mini-aplicativos ativos na barra do KDE, como o pager, pois, apesar de pequenos, juntos eles podem consumir uma quantidade generosa de memória.
Depois de uma limpeza bem feita, o consumo de memória do sistema logo após a abertura do KDE deve ter caído para algo em torno de 38 MB, o que permite que o sistema rode com alguma memória disponível mesmo em um PC com 64 MB. A questão agora é saber usar bem os poucos recursos disponíveis, de forma a criar um ambiente produtivo.
A vantagem de usar este KDE "light" ao invés do IceWM, por exemplo, é que você pode rodar aplicativos do KDE, como o Konqueror, Kmail, Kcalc, Kedit, Kword, etc. com um desempenho razoável, por os componentes básicos do KDE já estão carregados. Combine alguns aplicativos leves do KDE com aplicativos como o XMMS, o Inkscape ou até mesmo o Gimp, que são baseados na biblioteca GTK, mas não utilizam componentes do Gnome. Evite usar o Firefox, pois ele é razoavelmente pesado, prefira usar o Konqueror ou o Opera. Sempre que possível, use comandos e aplicativos de modo texto (como o links, mc, mcedit e mpg123) em substituição aos aplicativos gráficos e tente rodar sempre um programa gráfico por vez, para evitar usar muita memória swap.
A regra de ouro é: não use aplicativos pesados, como o OpenOffice e evite usar aplicativos do Gnome pois, ao serem usados dentro do KDE, eles precisam carregar uma grande quantidade de bibliotecas.
Se precisar de uma suíte de escritório, experimente o Abiword e o Gnumeric, eles possuem bons recursos e lidam bem com arquivos do Office.
Uma opção é passar a usar o Fluxbox no lugar do KDE. Para isso, é só finalizar o KDE através do "Iniciar > Fechar Sessão" e, de volta à tela de login, escolher o Fluxbox no menu de seleção.
Naturalmente, ao deixar de usar o KDE, você abre mão de muitas funcionalidades, fazendo com que o sistema deixe de ser muito amigável. Existem outras opções de interfaces leves, como o IceWM e o WindowMaker, que podem ser instalados via apt-get.
Entretanto, se você precisa de uma interface que, além de leve, seja amigável, adequada para o usuário final, devo alertar que ela simplesmente não existe. Você pode obter resultados razoáveis personalizando o IceWM (que oferece uma interface similar ao Windows 95, com o iniciar e barra de tarefas), mas apenas depois de uma boa dose de trabalho. O Fluxbox e o WindowMaker são baseados em conceitos muito diferentes, por isso acabam sendo adequados apenas a usuários mais familiarizados com o sistema.
Estas dicas funcionam bem para micros Pentium II ou K6-2 com 64 ou 128 MB de memória, que, apesar da grande queda de preço nos micros novos, ainda são extraordinariamente comuns aqui no Brasil.
O maior problema é o que fazer com micros mais antigos, principalmente os Pentium I com 32 MB que ainda sobrevivem à passagem do tempo. Bem, o único conselho útil que posso dar em relação a eles (pelo menos se o objetivo é atender usuários finais), é usar o LTSP que vimos a pouco, ao invés de tentar rodar os aplicativos localmente. Ele é possivelmente a única solução que oferece uma solução realmente utilizável e relativamente rápida de instalar mesmo ao usar micros Pentium 100 com 16 MB. Use um micro novo, ou pelo menos um micro com uma configuração razoável, como servidor e você terá um bom desempenho em todos os terminais.

Existe uma lenda dentro do mundo Linux, que diz que o Gnome é uma opção mais leve que o KDE e pode ser usado mesmo em micros antigos. Isto era mais ou menos verdade na época do Gnome 1.4, mas é completamente falso atualmente. O Gnome 2.x consome mais memória que o KDE, a única vantagem é que o carregamento é um pouco mais rápido.
Você pode fazer uma comparação instalando o Kurumin e o Ubuntu (que é baseado no Gnome) na mesma máquina e comparando o uso de memória após um boot limpo nos dois sistemas. O Ubuntu 6.10 consome quase 50 MB de memória a mais que o Kurumin 7.
Isso acontece por que o Kurumin usa uma configuração bastante otimizada para o KDE, o que aumenta a diferença. Entre as distribuições atuais, que usam o KDE ou Gnome como padrão, as únicas que rivalizam com o Kurumin em termos de consumo de memória são o Slackware (e derivados) e o próprio Debian.
Você pode instalar o Gnome no Kurumin através do comando "apt-get install gnome-core". Muita gente acha a interface do Gnome mais simples e mais fácil de aprender, mas, do ponto de vista do desempenho, o KDE leva vantagem.
Sem comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 18 de janeiro de 2007 às 14h15


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