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HDs: Entendendo as interfaces SATA

Por Carlos E. Morimoto em 18 de novembro de 2010 às 16h16

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As interfaces IDE foram originalmente desenvolvidas para utilizar o barramento ISA, usado nos micros 286. Assim como no barramento ISA, são transmitidos 16 bits por vez e utilizado um grande número de pinos. Como é necessário manter a compatibilidade com os dispositivos antigos, não existe muita margem para mudanças dentro do padrão, de forma que, mesmo com a introdução do barramento PCI e do PCI Express, as interfaces IDE continuam funcionando fundamentalmente da mesma forma.

Mesmo quando foram introduzidas as interfaces ATA/66, a única grande mudança foi a introdução dos cabos de 80 vias, desenvolvidos de forma a permitir taxas de transmissão maiores, sem contudo mudar o sistema de sinalização, nem os conectores.

A partir de um certo ponto, ficou claro que o padrão IDE/ATA estava chegando ao seu limite e que mudanças mais profundas só poderiam ser feitas com a introdução de um novo padrão. Surgiu então o SATA (Serial ATA).

Assim como o PCI Express, o SATA é um barramento serial, onde é transmitido um único bit por vez em cada sentido. Isso elimina os problemas de sincronização e interferência encontrados nas interfaces paralelas, permitindo que sejam usadas freqüências mais altas.

Graças a isso, o cabo SATA é bastante fino, contendo apenas 7 pinos, onde 4 são usados para transmissão de dados (já que você precisa de 2 fios para fechar cada um dos dois circuitos) e 3 são neutros, que ajudam a minimizar as interferências:

Os cabos SATA são bem mais práticos que os cabos IDE e não prejudicam o fluxo de ar dentro do gabinete. Os cabos podem ter até um metro de comprimento e cada porta SATA suporta um único dispositivo, ao contrário do padrão master/slave do IDE/ATA. Por causa disso, é comum que as placas-mãe ofereçam 4 portas SATA (ou mais), com apenas as placas de mais baixo custo incluindo apenas duas.

No final, o ganho de desempenho permitido pela maior freqüência de transmissão acaba superando a perda por transmitir um único bit por vez (em vez de 16), fazendo com que, além de mais simples e barato, o padrão SATA seja mais rápido.

Existem três padrões de controladoras SATA, o SATA 150 (também chamado de SATA 1.5 Gbit/s ou SATA 1500), o SATA 300 (SATA 3.0 Gbit/s ou SATA 3000) e também o padrão SATA 600 (ou SATA 6.0 Gbit/s), que ainda está em desenvolvimento. Como o SATA utiliza dois canais separados, um para enviar e outro para receber dados, temos 150 ou 300 MB/s em cada sentido, e não 133 MB/s compartilhados, como no caso das interfaces ATA/133.

Os nomes SATA 300 e SATA 3000 indicam, respectivamente, a taxa de transferência, em MB/s e a taxa "bruta", em megabits. O SATA utiliza o sistema de codificação 8B/10B, o mesmo utilizado pelo barramento PCI Express, onde são adicionados 2 bits adicionais de sinalização para cada 8 bits de dados. Estes bits adicionais substituem os sinais de sincronismo utilizados nas interfaces IDE/ATA, simplificando bastante o design e melhorando a confiabilidade do barramento. Dessa forma, a controladora transmite 3000 megabits, que, devido à codificação, correspondem a apenas 300 megabytes. Ou seja, não é um arredondamento. :)

As controladoras SATA 300 são popularmente chamadas de "SATA II" de forma que os dois termos acabaram virando sinônimos. Mas, originalmente, "SATA II" era o nome da associação de fabricantes que trabalhou no desenvolvimento dos padrões SATA (entre eles o SATA 300) e não o nome de um padrão específico. Da mesma forma, o padrão de 600 MB/s chama-se SATA 600, e não "SATA III" ou "SATA IV". Mesmo os próprios fabricantes de HDs não costumam usar o termo "SATA II", já que ele é tecnicamente incorreto.

Outra curiosidade é que muitas placas-mãe antigas, equipadas com controladoras SATA 150 (como as baseadas no chipset VIA VT8237 e também nas primeiras revisões dos chipsets SiS 760 e SiS 964), apresentam problemas de compatibilidade com HDs SATA 300. Por causa disso, a maioria dos HDs atuais oferecem a opção de usar um "modo de compatibilidade" (ativado através de um jumper), onde o HD passa a se comportar como um dispositivo SATA 150, de forma a garantir a compatibilidade.

8 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 18 de novembro de 2010 às 16h16

Comentários

Confusão de Interfaces
por Nilton (anônimo) em 25 de outubro de 2011 às 22h56
Olá pessoal! Estou confuso. Alguém pode me esclarecer, por favor:
Comprei da Hardestore uma Asus F1A75 (Socket FM1) SATA 6Gb/s AMD A75 (Hudson D3)onde a loja informa: armazenamento SATA II 6Gb/s.
Perguto: O HD SATA III de 6GB/s, conforme loja do Just Shop, serve nessa placa?
A informação SATA II - 6GB/s está correta?

Obrigado.

Nilton
Incompatibilidade entre HD's sata 150/300
por Marcos Belançon (anônimo) em 18 de novembro de 2010 às 17h15
Acredite ou não, eu tenho um PC exatamente com o chipset via que o Morimoto citou. Quando montei a máquina comprei um HD Samsung SATA 300, e na época não sabia desse problema. Aconteceu que o HD funcionou perfeitamente, sem eu ter mechino no Jumper. E cerca de 1 mês depois liguei a máquina e o HD simplesmente não foi detectado.

Tenho esse HD guardado de lembrança, e se tento ligar ele em qualquer computador ele faz com que a máquina simplesmente não ligue!
Sobre não ligar com HD por Aron Rodrigues (anônimo)
 
por Telmo Wall (anônimo) em 9 de setembro de 2008 às 19h45
Muito boa expecificação técnica.... gostei.
 
por wellington (anônimo) em 5 de setembro de 2008 às 17h35
kara kd dia aprendendo + nesse site!!!
valeu kara!!!
100 %!!!
sobre linux tbm show!!!
 
por Felipe Carneiro Dalpiaz (anônimo) em 5 de setembro de 2008 às 17h12
Poxa carashow de bola tua exolicação
parabens
 
por Humberto Jr. (anônimo) em 3 de setembro de 2008 às 04h48
Parabéns,
Informação muito esclarecedora.
Saber não ocupa espaço.
HJ
 
por Rodrigo Vedovato (anônimo) em 31 de agosto de 2008 às 13h02
Gostei muito desses dois últimos artigos do GdH, sobre a interface IDE e a SATA!

Muito bom mesmo, é um belo resumo dos capítulos!

[]'s