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Haiku, o BeOS Open Source

Por Marcio Frayze David em 28 de setembro de 2007 às 10h25

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Haiku é um Sistema Operacional livre (Open-Source) multitarefa e multiprocessado voltado para usuários Desktop. Ainda não é um sistema que possa ser utilizado para substituir o Linux, MacOS ou mesmo o Windows, mas este projeto anda caminhando muito bem e já é possível ter uma boa idéia de como será sua versão final.

Inicio do fim:
Era uma vez uma Sistema Operacional chamado BeOS. O BeOS era voltado para o mercado de Desktops, sendo um sistema totalmente gráfico, multitarefa, multiprocessado e bastante fácil de usar e muito rápido.
Infelizmente sua base de usuários era muito pequena, e em 2001 a Palm comprou a Be e não deu continuidade ao desenvolvimento deste sistema.

O novo começo:
A comunidade tentou convencer a Palm a liberar o código fonte do BeOS, mas foi em vão. Não satisfeita, algumas pessoas se organizaram e começaram a tentar re-construir o BeOS, desta vez de forma livre. Alguns projetos nasceram, cada um com suas características, e o projeto que mais se destacou foi o OpenBeOS, hoje conhecido como Haiku.

Os dias atuais:
O projeto ainda está no começo se comparado com o Ubuntu, MacOS ou Windows sendo que ainda falta muito para atingir um sistema plenamente funcional, mas já é possível roda-lo em uma máquina virtual para conhece-lo e o resultado é bastante animador !


Com GNU/Linux e sua infinidade de distribuições, FreeBSD, OpenBSD, PC-BSD, OpenSolaris, MenuetOS... Por quê criar mais um sistema ?

Primeira razão: Eles adoram o BeOS, e não querem ver este sistema morrer.
Segunda razão: Depois de utilizar o GNU/Linux por vários anos como único sistema em meu computador, comecei a perceber alguns problemas crônicos ainda não resolvidos e que estão presentes na maioria desses SOs que citei anteriormente... isso me faz pensar que talvez criar um novo sistema realmente seja uma boa idéia. Talvez o PC-BSD já tenha resolvido alguns dos problemas que vou citar, mas não posso confirmar isso pois ainda não testei este sistema (que parece ser excelente, diga-se de passagem).

Não me entenda mal: Linux, *BSD e OpenSolares são ÓTIMOS sistemas e com certeza estão entre os melhores sistema operacionais atuais. MAS... é difícil comparar o Linux com o MacOS X por exemplo em termos de facilidade de uso para o usuário Desktop. O MacOS foi criado do zero para atender a esta necessidade, e mesmo usando (atualmente) um kernel unix, consegue atingir este objeto de forma fantástica. Mas infelizmente MacOS é um sistema proprietário e totalmente fechado (até o hardware da Apple, que atualmente utilizam processadores Intel, é fechado !) o que faz com que várias vantagens do mundo livre sejam perdidas.

Mas e se existisse um sistema que fosse livre, gratuito e que realmente fosse feito desde o seu início voltado aos usuário desktop ?
Alguns de vocês talvez estejam pensando: "será que esse cara nunca ouviu falar em Ubuntu ?!". Sim, já ouvi falar e o conheço bem. Mas o Ubuntu nada mais é do que uma distribuição GNU/Linux (derivada do Debian) com várias ferramentas de auto-detecção, que ainda carrega diversos problemas do Unix em relação a usuários Desktop. Exemplos ? Vamos lá:

O Ubuntu ainda usa a mesma hierarquia de diretórios do Unix confusa para o usuário desktop (tente explicar para um usuário leigo o que significa "case sensitive"), não possui uma API gráfica e de som centralizada (e nunca vai ter) o que dificulta a vida dos programadores, que nunca sabem exatamente o que vai ter no computador do usuário e dificulta para as empresas na hora de fornecer suporte (esse é uma dos principais motivos pelo qual a Adobe não gosta de desenvolver player flash para Linux).
Os softwares são facilmente instalados e atualizados no Ubuntu via apt-get desde que você tenha uma conexão banda larga. Pense em um usuário que mora no interior que possui 2 máquinas desktop. Com um sistema voltado para usuário Desktop como o MacOSX, basta que o usuário baixe o instalador do programa em qualquer lugar, grave num CD ou algo assim, e com certeza irá funcionar sem problemas. No Ubuntu (e qualquer outra distrubição Linux) isso dificilmente acontece. Você baixa um pacote DEB ou RPM e não consegue instalar, pois faltam outros 200 pacotes para vocês instalar. O PC-BSD parece que já resolveu boa parte deste último problema, mas como ainda não tive a oportunidade de testa-lo a fundo, não posso dizer muita coisa a respeito.

Resumindo:

O Software Livre já mostrou que está ai para ficar, mostrou sua força e mostrou para o mundo que é possível desenvolver softwares de incrível qualidade. Esta forma de desenvolvimento está ganhando cada vez mais campo, sendo que hoje em dia já é possível utilizar apenas Software Livre em diversas áreas da computação. Mas na minha opinião é possível tornar a experiência para o usuário desktop ainda melhor, e talvez o Haiku seja a solução.

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Marcio Frayze David é formado em Ciência da Computação pela PUC-SP e trabalha com desenvolvimento de softwares utilizando Java (J2SE, J2ME e J2EE) e Smalltalk. Ele também é membro do grupo de programadores Insaners (http://www.insaners.org), que desenvolve jogos open-source para Windows, Linux e celulares. Nas horas vagas gosta de estudar sobre Software Livre, Compiladores e Linguagens de Programação. Pode ser contactado através do email "mfdavid em gmail.com" ou em seu blog: http://www.insaners.org/marcio
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4 comentáriosPor Marcio Frayze David. Revisado 28 de setembro de 2007 às 10h25

Comentários

Boa! Mentes abertas estão raras!!!
por Bruno (anônimo) em 4 de maio de 2011 às 19h14
Finalmente encontrei um artigo escrito por quem entende de Linux, mas não o defende de forma intransigente! Elogiar o que está bom, incentiva. Mas também é preciso a autocrítica!
No Linux falta sim, hierarquia de diretórios simplificada, programação padronizada, inter-atividade com o usuário nativamente gráfica e a facilidade de instalar programas de forma independente de pacotes e internet!
Amo o BEOS
por Edivaldo Reis (anônimo) em 17 de setembro de 2010 às 12h41
Excelente artigo. Sou admirador do BEOS desde 2001. É o melhor sistema operacional do mundo.

Na verdade, as fabricantes de hardware contribuiram muito para que o BEOS fosse descontinuado. Como o BEOS tinha a capacidade de turbinar um simples PC com seu alto foco em multi-mídia, nenhum fabricante gostaria de ter seus produtos encalhados nas lojas.

Espero que as pessoas se conscientizem. Comecem a investir no Haiku e se prepare para deixar de gastar com peças de computador por um longo tempo...

O Green Peace podia apoiar o Haiku!
estudo BeOS e Haiku por Alex Peter (anônimo)
BeOS
por Iselso (anônimo) em 18 de setembro de 2010 às 22h18
Apesar de existirem muitos sistemas operacionais livres, como mencionado, para mim - que gosto de sistemas operacionais, estudei muito o código do linux - o simples fato de gostar do BeOS (Haiku) já é mais que suficiente para investir no seu aprimoramento.