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Cartões de memória: a guerra dos formatos

Por Carlos E. Morimoto em 20 de dezembro de 2008 às 09h15

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A popularização dos cartões de memória Flash deu início a uma guerra entre diversos formatos de cartões, alguns abertos e outros proprietários. Esta variedade de formatos deriva da questão do pagamento de royalties, já que quando um fabricante consegue impor um padrão proprietário (mesmo que seja algo simples, como um novo conector USB, ou um novo formato de cartões de memória), ele ganha o direito de recolher royalties sobre os outros fabricantes que quiserem utilizá-lo, de forma que cada fabricante tentou vender o seu peixe.

Entre eles tivemos o CompactFlash (que é ainda utilizado em algumas câmeras de uso profissional, devido à boa taxa de transferência oferecida pelos cartões), o SmartMedia (o falido antecessor dos cartões SD atuais, que foi desenvolvido pela Toshiba), o xD (usado em algumas câmeras da Olympus e da Fujifilm), o MMC (o padrão semi-aberto, antecessor do SD) e o Memory Stick (o padrão proprietário da Sony).

Destes quatro padrões iniciais, o único que deixou descendentes é o Memory Stick, que deu origem ao Memory Stick Pro Duo e ao Memory Stick Micro (ou M2), que são os formatos utilizados pela Sony na maioria de seus produtos:

Muito se discute sobre qual é o motivo da Sony insistir em seus padrões proprietários, já que cartões mais caros servem apenas para reduzir as vendas dos produtos. A verdade é que mesmo dentro da Sony existem vozes contrárias, tanto que alguns modelos da Sony, como o Xperia X1 já utilizam cartões microSD.

Finalmente, temos os cartões SD (Secure Digital), que acabaram vencendo a guerra e se tornando o formato dominante. Existem três formatos de cartões SD. Além do formato padrão, temos os cartões miniSD e microSD, versões miniaturizadas, que são eletricamente compatíveis com o padrão original e podem ser usados no lugar dos cartões SD regulares usando um adaptador simples.

O miniSD mede 2.15 x 2.0 cm, com apenas 1.4 mm de espessura, enquanto o microSD é um formato ainda menor, onde o cartão mede apenas 1.5 x 1.1 cm e tem apenas 1 mm de espessura. O SD original, que já parecia pequeno na época em que foi lançado, parece um gigante perto do microSD:

O SD original é usado apenas em aparelhos muito antigos, como o Treo 650. Aparelhos lançados entre 2005 e 2006, como o Motorola Q e o Nokia E62 utilizam cartões miniSD, enquanto quase todos os smartphones atuais já migraram para os cartões microSD, fazendo que que eles respondessem por mais de 80% dos cartões de memória vendidos no segundo semestre de 2008.

Além do formato, outra questão importante sobre os cartões SD é a questão da capacidade. Inicialmente, o padrão de cartões SD previa o desenvolvimento de cartões de até 2 GB, formatados por padrão em FAT16 (você pode reformatar o cartão em NTFS ou em outros sistemas de arquivos, mas nesse caso a maior parte das câmeras e outros dispositivos deixam de conseguir acessá-lo, embora você ainda consiga acessar o cartão normalmente se conectá-lo a um PC usando um adaptador USB).

Quando o limite de 2 GB foi atingido, os fabricantes passaram a criar extensões para permitir a criação de cartões de 4 GB, usando hacks para modificar o sistema de endereçamento e passando a usar o sistema FAT32 (no lugar do FAT16) na formatação. Estes cartões de 4 GB "não-padronizados" são compatíveis com a maioria dos dispositivos antigos, mas você pode enfrentar problemas diversos de compatibilidade, já que eles não seguem o padrão.

Para colocar ordem na casa, foi criado o padrão SDHC (Secure Digital High Capacity), onde a tabela de endereçamento foi expandida e passou a ser oficialmente usado o sistema de arquivos FAT32. Todos os cartões que seguem o novo padrão carregam o logotipo "SDHC" (que permite diferenciá-los dos cartões de 4 GB "não-oficiais") e trazem um número de classe, que indica a taxa de transferência mínima em operações de escrita. Veja um exemplo de cartão com o logotipo:

Os cartões "Class 2" gravam a 2 MB/s, os "Class 4" a 4 MB/s, os "Class 6" a 6 MB/s e assim por diante. O mesmo se aplica também aos cartões miniSD e microSD. Note que a numeração não diz nada sobre a velocidade de leitura, mas ela tende a ser proporcionalmente maior.

O lançamento do padrão SDHC criou problemas de compatibilidade entre os novos cartões e aparelhos antigos. Para suportar o SDHC, é necessário que o dispositivo utilize um controlador de memória compatível e também um firmware compatível. Muitos aparelhos lançados de 2005 em diante, que originalmente não oferecem suporte ao SDHC podem se tornar compatíveis através de atualizações de firmware, mas existem muitos modelos recentes que realmente ficarão para sempre limitados aos cartões de 2 GB. Eles podem até parecer satisfatórios hoje, mas vão deixar de ser a partir do momento em que cartões de 8 GB por R$ 50 (ou menos, já que os preços caem continuamente) começarem a aparecer nas lojas.

Em muitos casos, é possível utilizar os cartões de 4 GB não padronizados nesses aparelhos (eles podem ser diferenciados dos SDHC facilmente, pois não possuem o logo), mas nesse caso é uma questão de tentativa e erro. É muito melhor confirmar a compatibilidade com o SDHC antes de comprar.

O padrão SDHC original prevê a criação de cartões de até 32 GB, que é o limite de tamanho para partições FAT 32 com clusters de 16 KB. Entretanto, este limite deve ser logo expandido, já que os cartões de 64 e 128 GB já estão no horizonte, mas é provável que muitos dispositivos precisem de atualizações de firmware para lidarem com eles.

Outra observação é que as especificações de muitos smartphones falam em compatibilidade com cartões de até 8 GB ou até 16 GB, enquanto outros falam em compatibilidade com cartões de até 32 GB.

Estes números indicam apenas a capacidade máxima para a qual ele foi certificado, ou seja, a capacidade máxima que foi efetivamente testada e é garantida pelo fabricante e não necessariamente a capacidade máxima. Como todos suportam o padrão SDHC, todos devem suportar cartões de até 32 GB sem percalços.

18 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 23 de março de 2011 às 11h29

Comentários

 
por Carlos E. Morimoto em 9 de janeiro de 2009 às 19h48
A resistência varia de acordo com o cartão. Os cartões Compact Flash (que são maiores) podem ser danificados com maior facilidade que um microSD, por exemplo. Mas, de qualquer forma, os cartões de memória são as mídias de armazenamento com melhor resistência mecânica que temos em uso. É mais fácil perder dados devido a problemas no sistema de arquivos do que por dados no cartão.
atualizar o windows por juarez (anônimo)
 
por William (anônimo) em 31 de outubro de 2010 às 00h52
Olá! Acho que minha questão talvez ajude a complementar o excelente topico, um problema que já percebi afligi muitos. Meu notebook possui leitor de cartões MMC/SD/MS/PRO e adquiri um Sony SDHC 16Gb, facilmente identificado pelo Windows. Mas o Fedora 13 não o reconhece, tampouco o SuSE 11.3 . Já procurei em dmesg e não o encontro. Alguma sugestão? Qual seria o módulo responsável?
 
por Alessandro (anônimo) em 17 de abril de 2010 às 13h52
Posso usar um cartão micro sdhc no lugar do cartão sdhc. A diferença é apenas o tamanho? Obrigado.
 
por Heitor Caribé (anônimo) em 13 de outubro de 2009 às 17h51
Po eu tenho uma certa duvida
eu tinha o 5800 xp

e vendi sem o cartão de memoria
fiquei com o micro sd hc 8 gigabites classe 4
para guarrdar arquivos e transferir meus dados para op computador que tinha criado no celular

so que ele não aceita que eu transfira arquivos para o cartão de memoria
e nem do cartão de meoria para o computador

o computador nem chega a reconhecer o cartão

alguem pode me esclarecer algo sobre o assunto ??
 
por hp scratch (anônimo) em 27 de março de 2009 às 01h49
Olá galera, estou com uma dúvida, comprei um equipamento de som (sampler) que é carregado a partir de um cartão de memória COMPACT FLASH, só que no manual diz que el aceita cartões de até 1GB de memória.........Esse equipamento já tem alguns anos, quero saber se posso utilizar um cartão com capacidade maior, já que na época que o manual foi confeccionado não existia cartões com essas capacidades de hoje?
Abraço e fico n o aguardo.
 
por lu (anônimo) em 4 de fevereiro de 2009 às 20h45
comprei um sdhc de 8 gb para meu EeePc da Asus, mas nao estou conseguindo formatá-lo. O que fazer? Parabéns e obrigado
 
por Aguinaldo (anônimo) em 9 de janeiro de 2009 às 19h27
Saudações Morimoto,
gostaria de saber se existe algum estudo sobre a resistência física dos cartões de memória, tipo: quanto de impacto/flexão um memorycard aguenta?; a gordura do suor pode infiltrar nos circuitos e danifica-lo ?; qual a resistência a água ?. Sou seu fã. Um abraço e continue estudanto e nos ensinando cada vez mais.
 
por Luiz (anônimo) em 7 de janeiro de 2009 às 09h42
Uma sugestão interessante seria, se possivel abordar sobre ssd's (solid state disk).
achoq ue seria interessante tendo em vista que alguns notebooks estão fazendo uso dos mesmos.
 
por Everson (anônimo) em 30 de dezembro de 2008 às 21h58
Uma prova de que os cartoes SD estão proximos da dominação total, é que a Olympus, agora manda junto de alguns modelos de cameras digitais, um adaptador XD que permite a ele conectar um micro SD e ligar a maquina, uma vez que os cartoes SD possuem o melhor preço do mercado. A curto prazo ainda não vejo por parte da Olympus uma possivel migração em definitivo para o formato SD, mas já é uma brecha de que mais tarde pode abandonar os cartoes XD e passar ao SD.
OBS: este adaptador transforma uma micro SD em uma XD.
 
por Aziz (anônimo) em 25 de dezembro de 2008 às 20h56
o sistema de arquivos FAT32 suporta discos de até 2 terabytes, segundo a Microsoft (http://support.microsoft.com/kb/154997/pt-br)