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Especial sobre os fones Bluetooth estéreo
Por Carlos E. Morimoto em 6 de novembro de 2009 às 17h37
33Com a queda dos preços, os fones estéreo Bluetooth estão começando a se tornarem populares. Eles são mais práticos por não usarem fios, mas também possuem desvantagens, o que a escolha complicada.
Os modelos de fones da Nokia e da Motorola ainda custam na faixa dos R$ 300 no Brasil, mas já é possível encontrar alguns modelos de outros fabricantes por a partir de US$ 25 na dealextreme ou no Ebay. Este da foto é um BTH-330, comprado por US$ 32 na DealExtreme (sku 12411):

Ele pesa 76 gramas, já incluindo a bateria Li-poly não-removível (as especificações falam em 95 gramas, mas o peso real é menor), tem uma autonomia de 8 horas de uso contínuo (ou cerca de 5 dias em stand-by) e é carregado através de um cabo mini-USB, usando o PC ou um carregador de tomada.
Considerando que um bom fone (com fio) custa 20 ou até 30 reais, pagar 60 reais em um fone Bluetooth parece tentador. Vamos então a um resumo dos prós e contras.
Por um lado você não tem mais que se preocupar em passar fios por dentro da roupa e conectar e desconectar o telefone, o que acaba fazendo uma grande diferença na usabilidade. Bons fones Bluetooth têm um alcance de até 10 metros (5 a 9 metros na prática, desde que não existam obstáculos significativos pelo caminho) o que adiciona uma boa flexibilidade, já que você não precisa necessariamente carregar o aparelho no bolso para continuar ouvindo no fone.
Além de servir para ouvir música, o fone também permite atender ligações (como no caso dos headsets bluetooth mono que já existem a mais tempo) e você pode ajustar o volume, mudar a faixa e atender as ligações diretamente através dos botões do fone, sem precisar tocar no celular.
Por outro lado, você tem o trabalho adicional de recarregar o fone todos os dias e a autonomia pode não ser suficiente para seu perfil de uso. É diferente de um fone com fio, que está sempre disponível para uso.
Apesar de ser mais uma fonte de energia eletromagnética (e bem do lado da sua cabeça) os fones Bluetooth são considerados seguros, já que trabalham com uma potência muito baixa e operam na faixa dos 2.4 GHz, o que significa que a maior parte da radiação se transforma em calor nas camadas superficiais da pele, sem penetrar nos tecidos. É bem menos nocivo do que falar segurando o telefone do lado do ouvido por exemplo.
O grande problema é que a transmissão funciona sem falhas apenas quando existe linha visada entre o receptor do fone e o aparelho. Isso não é um problema em fones como o BTH-330 onde o receptor fica de um dos lados, mas é um fator a se considerar no caso dos fones in-ear, onde o receptor fica na nuca. Como o sinal não sabe "fazer a curva", ele é atenuado pelo seu corpo ao colocar o telefone no bolso da frente, o que prejudica a recepção.

Além da questão da linha visada, o som pode falhar esporadicamente em áreas com forte interferência eletromagnética na faixa dos 2.4 GHz, como no caso de ambientes com muitas redes Wi-Fi, por exemplo. Na prática as falhas são bastante raras, e não chegam a incomodar tanto, mas para alguns este pode ser um deal-breaker.
Devido ao peso, todos os fones bluetooth são apoiados na parte superior da orelha, o que faz com que a grande maioria dos modelos sejam bem confortáveis de usar e fiquem bem fixos. Entretanto, você deve considerar também o fator da estética, já que fones grandes vão fazer você parecer um cyborg de um filme da década de 80:

É difícil encontrar fones muito compactos devido ao volume dos circuitos e da bateria (cuja redução significa queda na autonomia), mas eles devem se tornar mais comuns com o tempo.
Além da bateria do fone, outra questão a considerar é a autonomia do telefone, já que os 50 a 100 miliwatts adicionados pelo uso contínuo do transmissor bluetooth e da compressão do áudio são suficientes para reduzir a autonomia de forma perceptível. Um aparelho que suporta 15 horas de música com uma carga da bateria, vai passar a suportar apenas 10 ou 12 com o fone Bluetooth.
Com relação aos aspectos técnicos, os fones Bluetooth estéreo utilizam o profile A2DP (Advanced Audio Distribution Profile) Nele, o fluxo de áudio é transmitido via streaming, como se o headset fosse uma placa de som remota. Os fones mono são menores e destinados apenas a ligações (eles usam o perfil HSP, que suporta apenas bitrates baixos e áudio mono), enquanto os fones estéreo também servem para ouvir música e assistir vídeos.
Com exceção do iPhone (que ganhou suporte a fones estéreo apenas com o firmware 3.0), os fones são suportados por praticamente todos os celulares e smartphones com bluetooth, incluindo também tablets como o N800 e o N810.
No caso do S60, a configuração do fone é feita através do "Conect. > Bluetooth > Dispositivos Pareados > Novo Disp. Pareado", enquanto no Windows Mobile ela é feita através do "Configurações > Conexões > Bluetooth > Bluetooth Manager > Novo" (use a opção "Áudio de Alta Qualidade" para fones estéreo):

Para colocar o fone em modo de pareamento é necessário (com ele desligado) manter o botão de ligar pressionado por pelo menos 5 segundos (ou simplesmente ficar com ele pressionado até que o telefone consiga localizá-lo). Se o telefone não o estiver encontrando, provavelmente é por que você pressionou o botão cedo demais e ele não chegou a entrar em modo de pareamento.

Feito o pareamento, o aparelho deve ser capaz de conectar e desconectar o fone automaticamente conforme ele é ligado e desligado. Em outras palavras, se o fone está desligado o som sai pelo speaker ou pelo conector de 3.5mm e ao ligá-lo o som é automaticamente direcionado para ele.
O ponto negativo do pareamento é que o fone fica atrelado ao dispositivo. Se você quiser usar com outro, é necessário primeiro desligar o fone e refazer o pareamento. Este é um ponto ruim em relação aos fones com fio, que você pode simplesmente plugar a desplugar a gosto.
É possível também usar o fone em conjunto com um PC, mas nesse caso a configuração é um pouco mais problemática. O Windows não possui suporte nativo ao A2DP (nem mesmo no Windows 7), mas é possível fazer a conexão usando o BlueSoleil. No caso do Linux existe suporte nativo a partir do BlueZ 3.16, mas por enquanto a configuração ainda é manual: http://wiki.bluez.org/wiki/HOWTO/AudioDevices
O formato de compressão do áudio é negociado entre o fone e o dispositivo (os formatos disponíveis vão do MPEG1 ao SCMS-T, passando pelo ATRAC e outros) o que leva às diferenças na qualidade do áudio entre diferentes fones. Entre os formatos o SCMS-T é o que suporta bitrates mais altos (o que permite que fones high-end tenham uma qualidade surpreendentemente boa), mas em compensação ele também exige mais processamento. Muitos fones baratos usam MPEG1 ou MPEG2 com bitrates baixos, o que resulta em uma degradação considerável na qualidade.
Além do output do circuito, temos também outra variável, que é a própria qualidade de áudio dos fones analógicos. Um bom headset pode sor muito menor que seus fones com fio antigos devido à combinação de um bom bitrate e de bons fones, enquanto um modelo barato pode soar duplamente ruim.
A qualidade de som do BTH-330 é surpreendentemente boa (considerando o preço) o que me leva a crer que ele utiliza o SCMS-T, embora nada conste nas especificações. A principal falha é a falta de potência nos graves, mas isso tem mais a ver com os fones analógicos do que com o formato de compressão.
Uma último fator que você deve procurar se informar antes de comprar qualquer coisa é o lag. Decodificar o sinal de áudio e transformá-lo em analógico demanda uma certa dose de processamento, o que faz com que todos os fones bluetooth insiram um certo lag no áudio. Nos bons fones o retardamento não é maior do que 20 ou 30 ms, o que é quase imperceptível. Entretanto, muitos fones de baixa qualidade podem inserir lags muito maiores (até 1 segundo em alguns casos!) o que inviabiliza o uso para qualquer coisa além de escutar música. Naturalmente, esta não é uma informação que consta nas especificações, por isso é importante checar as opiniões e reviews.
Uma possível curiosidade para muitos é como os fones bluetooth competem com os fones com receptores de rádio FM, que podem ser usados em conjunto com aparelhos com transmissor de rádio, como o Nokia N85.

Além da questão do tamanho e da facilidade de uso, os fones bluetooth trabalham com um sinal digital e bons fones são capazes de manter bitrates relativamente altos (192 kbits ou mais em muitos casos), o que resulta em uma qualidade de áudio consideravelmente melhor. Os transmissores FM por sua vez trabalham com um sinal de média qualidade (22 kHz) e são mais sujeitos a estática e interferência. Eles funcionam melhor quando você quer usar o smartphone em conjunto com o sistema de som do carro.
Concluindo, o A2DP é também usado por caixas de som bluetooth (como a MD-7W da Nokia), que trabalham exatamente da mesma maneira que os fones:

Eu não as considero uma opção muito boa de compra, já que você pode usar um dos vários modelos de caixinhas portáteis movidas a pilhas (ou com baterias recarregáveis) pagando muito menos. Entretanto, existe uma terceira classe de dispositivos que podem ser úteis em alguns casos, que são os receivers bluetooth, que podem ser usados com qualquer conjunto de caixas ou fones:

Eles são uma boa forma de usar o smartphone como player de mídia no carro ou em caso sem precisar conectá-lo e desconectá-lo cada vez que for usar. Este da foto é o sku 8244 da dealextreme, que custa US$ 13.
33 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 21 de março de 2011 às 16h31


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