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O excesso de informação está nos tornando mais burros?

Por Carlos E. Morimoto em 24 de junho de 2008 às 15h52

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Uma questão recorrente atualmente é se o excesso de informação e o hábito de fazer muitas coisas ao mesmo tempo nos torna mais ou menos produtivos. Uma das mudanças fundamentais com relação ao estudo e à obtenção de conhecimento trazida pela web e pela informatização em geral é que o acesso à informação ficou muito mais fácil. Essencialmente, você pode localizar praticamente qualquer informação em alguns poucos segundos fazendo uma simples pesquisa no Google, se souber como procurar.

Com isso, formas tradicionais de estudo baseadas em decorar nomes, datas e listas de informações usadas até hoje no ensino tradicional passaram a perder espaço e importância. Em vez de simplesmente decorar informações, a capacidade de localizá-las, analizá-las, tirar conclusões e traçar estratégias passou a ser mais importante.

Entretando, tirar conclusões acertadas exige conhecer o tema e ter um grande volume de informações anteriores sobre ele memorizadas. Ou seja, o estudo regular continua sendo uma necessidade para qualquer bom profissional, apenas o formato é que mudou.

Entretando, a informatização trouxe também um efeito negativo, na forma de constantes interrupções. Hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que trabalhe na frente de um PC que não passe o dia alternando entre diversas tarefas, interrompendo seu trabalho a cada dois ou três minutos para responder a uma mensagem no MSN, responder um mail urgente, atender ao telefone, ver a cotação das bolsas, ver o relatório de acessos do site, ler as notícias do dia, comentar alguma bizarrisse com alguém ou, ou.. ou... enfim, a lista é grande.

Existem cada vez mais indícios de que fazer muitas coisas ao mesmo tempo acaba reduzindo a produtividade em vez de aumentar. Pior, ela mina a sua capacidade de se concentrar e realizar tarefas complexas, que exigem concentração, como escrever artigos elaborados, programar, ou analisar situações de forma detalhada. De um certo modo, seu cérebro se acostuma a parar o que está fazendo a cada dois ou três minutos para verificar alguma outra coisa e isso acaba virando um hábito muito difícil de sobrepujar.

A última tora de lenha na fogueira é este artigo do New Atlantis. Citando outros estudos anteriores, o artigo defende a idéia de que na verdade o cérebro humano é capaz de se concentrar em apenas uma coisa de cada vez. Ao fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo, você na verdade se limita a alternar entre elas e a cada mudança seu cérebro leva um certo tempo até retornar ao estado anterior. Além da perda de produtividade, tentar fazer muitas coisas ao mesmo tempo aumenta o nível de stress, o que também causa efeitos adversos a longo prazo.

Outro efeito negativo recai sobre a questão do aprendizado. Em essencia, aprender exige que você se concentre no que está fazendo. Mesmo que o objetivo não seja decorar informações, mas simplesmente compreender novas idéias, interrupções prejudicam o armazenamento das informações, tornando mais difícil se lembrar delas mais tarde, fazendo com que, a longo prazo você acabe tendo muito mais dificuldade em aprender.

Talvez, este seja um dos motivos que levam tantas pessoas a preferirem livros e revistas impressas. Ao contrário de um PC, um livro não permite fazer outras coisas durante a leitura. Você é de certa forma obrigado a se concentrar no que está lendo. Mesmo que você tivesse exatamente o mesmo livro à disposição em PDF, você provavelmente teria muito mais dificuldade para lê-lo no micro, pois a tentação de fazer outras coisas prejudicaria a sua leitura. Este é só um exemplo entre possivelmente muitos outros. Este é sem dúvida um tema a se pensar.

Veja outros links relacionados ao tema:

Slow Down, Brave Multitasker, and Don't Read This in Traffic

The Multitasking Generation

Study says: leave the multitasking to your computer

6 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 21 de março de 2011 às 16h14

Comentários

 
por Leandro Siqueira (anônimo) em 27 de março de 2010 às 10h10
Curioso artigo morimoto. Interessante mesmo!

O finalzinho do comentário do Rodrigo diz exatamente o que penso, "informação nunca é demais para quem se organiza, se empenha e se mantém atento."
Infelizmente tenho minhas limitações nessa questão: não consigo concentrar-me direito lendo em um PC. Mas, tenho minhas 'saídas': se for uma matéria interessante, eu a imprimo e leio em algum outro lugar. No caso de um livro, se for realmente imperdível a sua leitura, eu faço questão de tê-lo em mãos...comprá-lo. No entanto, conheço várias pessoas que não possuem nenhuma dificuldade em relação à isso. Isso depende de cada um. Por isso, em minha opinião, a literatura em geral nunca deverá ser totalmente eletrônica. Como alguns dizem que os dias dos livros estão contados, eu afirmo: "Só se for para você".:)

:=
 
por Rodrigo (anônimo) em 17 de outubro de 2008 às 15h40
Eu concorco com o Marcelo. Acho que a pessoa quando está lendo ou trabalhando tem que estar atento, pois um número errado pode causar uma catástrofe. Mas não acho que o fácil acesso à informação tem nos tornado mais burros não. A não ser que todo minuto você pare para responder alguém no msn ou no orkut. (isso sim atrapalha)
É como se fosse no colégio o professor dando aula e o aluno com formiga no * não pára quieto. quando se está trabalhando ou lendo é melhor fechar o msn. Vai de cada pessoa, se ela quer aprender ou ficar batendo papo. É a pessoa que tem que se educar. Pois se a pessoa não estiver interessada, naum adianta ser livro impresso ou em PDF.
E ler livro também gasta luz, ou as pessoas leem no escuro???
então, sou adverso à essa teoria, pois o excesso de informação nunca é de mais pra quem se organiza, se empenha e se mantém atento.
 
por Pierre (anônimo) em 27 de junho de 2008 às 09h53
É verdade, o excesso de informação nos traz estes problemas que o post esta citando.
Eu por exemplo, tenho evitado o uso do MSN, e procurado organizar a minha agenda e definir os meus focos. Com tanta informação é necessário uma filtragem e usar realmente o que interessa.
Quanto aos livros, leio em PDF, mas tenho uma paixaão especial em folhear um bom livro na cama antes de dormir, este hábito muito saudável não quero jamais perder.

Pierre
 
por gost (anônimo) em 25 de junho de 2008 às 11h04
ufa! muito bom saber disso.
no tempo do meu "saudoso" msx era tao facil aprender, mas agora com um computador multitarefa, internet banda larga ta tao dificil!
e eu q achava q tava ficando velho...
 
por Marcelo (anônimo) em 24 de junho de 2008 às 18h07
Acho que o problema em sí não é o excesso de informação, mas a incapacidade do indivíduo de se policiar. Trabalho com desenvolvivento de software e consigo muito bem me concentrar no desenvolvimento. É claro que a cada x minutos (digamos 40 minutos a 1 hora) eu paro e faço outras coisas. BTW, isso é de cada um, e nada que um pouco de "treinamento" próprio e policiamento não resolva.
 
por Robson (anônimo) em 24 de junho de 2008 às 17h11
alem do fato que o livro ainda é mais confortavel , mais leve e mais silencioso do que um PC, e tbem não gasta energia eletrica, gosto de ler um livro antes de dormir, PC ao contrario me tira o sono.