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Fontes: Entendendo o PFC

Por Carlos E. Morimoto em 6 de julho de 2009 às 20h37

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Ao comprar um nobreak (ou um estabilizador, caso você ainda viva na década de 80), a capacidade é sempre informada em VA (Volt-Ampere) e não em watts. Em teoria, um nobreak de 600 VA seria capaz de suportar uma carga de 600 watts, mas na prática ele muitas vezes acaba mal conseguindo manter dois PCs que consomem 200 watts cada um. Se você adicionasse mais PCs até totalizar os 600 watts, ele desligaria devido ao excesso de carga.

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Essa diferença ocorre por que a capacidade em VA é igual ao fornecimento em watts apenas em situações onde são ligados dispositivos com carga 100% resistiva, como é o caso de lâmpadas incandescentes e aquecedores.

Sempre que são incluídos componentes indutivos ou capacitivos, como no caso dos PCs e aparelhos eletrônicos em geral, a capacidade em watts é calculada multiplicando a capacidade em VA pelo fator de potência da carga. A maioria das fontes de alimentação genéricas, assim como fontes antigas, trabalham com um fator de potência de 0.65 ou menos (não confunda "fator de potência" com "eficiência", que é outra coisa completamente diferente). Isso significa que um nobreak de 600 VA suportaria, em teoria, um PC que consumisse 400 watts, utilizando uma fonte de alimentação com fator de potência de 0.65.

Como é sempre bom trabalhar com uma boa margem de segurança, um conselho geral era dividir a capacidade em VA por 2. Assim, um nobreak de 600 VA suportaria um PC com consumo total de 300 watts/hora com uma boa margem.

A partir de 2004/2005 começaram a surgir no mercado as fontes com PFC ("Power Factor Correction", ou "fator de correção de potência") implementado através de um circuito adicional que reduz a diferença, fazendo com que o fator de potência seja mais próximo de 1. Na verdade, é impossível que uma fonte trabalhe com fator de potência "1", mas muitas fontes com PFC ativo chegam muito perto disso, oferecendo um fator de potência de até 0.99.

Dentro da fonte, o circuito de PFC ativo é composto por uma pequena placa de circuito vertical, quase sempre posicionada próxima ao(s) capacitor(es) primário(s), contendo o controlador e vários componentes adicionais espalhados pela fonte. Alguns controladores populares (sobre os quais você pode pesquisar se estiver curioso) são o ML4800 e o CM6800.

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Embora o PFC não tenha uma relação direta com a capacidade ou com a eficiência da fonte, ele oferece algumas vantagens. A primeira é que o consumo em VA fica muito próximo do consumo real, em watts, de forma que você não precisa mais superdimensionar a capacidade do nobreak. Usando fontes com FPC ativo, você realmente poderia usar uma carga próxima de 600 watts/hora.

Outra vantagem no uso do PFC é uma redução expressiva na emissão de ruído e interferência eletromagnética por parte da fonte, o que evita problemas diversos.

A presença do PFC é também um bom indício de que se trata de uma fonte de boa qualidade, que provavelmente opera com uma boa eficiência. Fontes genéricas não possuem PFC, já que os circuitos representam um custo adicional.

Vamos então a uma explicação um pouco mais aprofundada sobre o PFC:

Como bem sabemos, a rede elétrica utiliza corrente alternada, que opera a uma freqüência de 60 Hz (50 Hz em muitos países da Europa). A fonte tem a função de transformar a corrente alternada em corrente contínua e entregá-la aos componentes do PC.

Além da energia realmente consumida pelo equipamento, medida em watts/hora (chamada de potência real), temos a potência reativa (medida em VA), que é exigida pela fonte no início de cada ciclo e rapidamente devolvida ao sistema, repetidamente. Uma fonte que trabalhe com um fator de potência de 0.65, pode consumir 200 watts/hora de potência real e mais 100 de potência reativa (a energia que vai e volta), totalizando 300 VA.

A rede elétrica (ou o nobreak onde o micro está ligado) precisa ser dimensionado para oferecer a soma da potência real e da potência reativa, por isso seria necessário usar um nobreak de no mínimo 300 VA para alimentar o PC do exemplo anterior, mesmo que na verdade ele consuma apenas 200 watts/hora.

Naturalmente, o vai e vem de corrente causada pela potência reativa causa uma certa perda de energia, parte dela dentro da própria fonte (o que reduz sua eficiência e aumenta o aquecimento) e parte dela nos demais pontos da rede elétrica, que causam prejuízos para a empresa responsável pela geração e transmissão, que precisa superdimensionar a fiação e outros equipamentos.

Existem dois tipos de circuitos de PFC: passivos e ativos. Os circuitos de PFC passivos são os mais simples, compostos basicamente por um conjunto adicional de indutores capacitores e podem ser encontrados até mesmo em algumas fontes baratas. Eles melhoram o fator de potência da fonte, elevando-o para até 70 ou 80%, o que é melhor do que nada, mas ainda não é o ideal.

Os circuitos de PC ativos, por sua vez, são compostos por componentes eletrônicos, incluindo um circuito integrado, FETs e diodos, que operam de maneira muito mais eficiente, elevando o fator de potência para 95 ou até mesmo 99%, praticamente eliminando a diferença entre watts e VA.

De volta às questões práticas, mais uma vantagem do uso do PFC ativo é que o circuito é capaz de ajustar automaticamente a tensão de entrada, permitindo que a fonte opere dentro de uma grande faixa de tensões, indo normalmente dos 90 aos 264V. Não apenas o velho seletor de voltagem é eliminado, mas também a fonte passa a ser capaz de absorver picos moderados de tensão e de continuar funcionando normalmente durante brownouts (onde a tensão da rede cai abaixo da tensão normal) de até 90V.

Caso você ainda use um estabilizador, saiba que com o PFC ele perde completamente a função, já que a fonte passa a ser capaz de ajustar a tensão de entrada de maneira muito mais eficiente que ele. Mesmo ao usar fontes genéricas, a utilidade de usar um estabilizador é mais do que discutível, mas ao usar com uma com PFC ativo, o estabilizador só atrapalha. Na falta de um nobreak, o melhor é utilizar um bom filtro de linha.

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33 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 23 de março de 2011 às 13h04

Comentários

 
por Adalton (anônimo) em 6 de julho de 2010 às 19h51
ÓTIMO, EM POUCAS LINHAS ENTENDI! PRECISO É DE UMA FONTE DE PC DE QUALIDADE! APESAR DO CUSTO AINDA SER MUITO ALTO.

GOSTEI,
 
por maique (anônimo) em 14 de fevereiro de 2010 às 11h18
otimo texo parabens
e melhor comprar uma fonte de maior valor e ai q funciona melhor q o estabilizador e poubando luz a final nao sou rico pra jogar dinheiro fora
 
por joaquim pereira (anônimo) em 1 de setembro de 2009 às 13h57
há vários dias que tento perceber a razão pela qual uma ups de 1000va de 600w não consegue alimentar uma máquina com um consumo de 0,15amperes por mais de 20 minutos se me puderem ajudar...tem a ver com a saude do mau filho
 
por Alexander (anônimo) em 24 de julho de 2009 às 22h47
Bom pessoal, me esclareçam uma coisa:
quer dizer que se uma fonte não tem chave seletora de tensão, ela obrigatoriamente é uma fonte com PFC ??? Ou isso não tem nada ver ????

Alexander
 
por MaxRaven (anônimo) em 10 de julho de 2009 às 19h34
"como funcionario publico..."
No orgão que trabalho tem um norma do setor de engenharia que obriga o uso de estabilizador, mas como só mandaram os pc's, sem os estabilizadores, ligamos vários direto no filtro mesmo, isso já a anos e ainda hoje estão lá, todos funcionando.
 
por kallikrates (anônimo) em 10 de julho de 2009 às 18h30
como funcionario publico já vi comprarem nobreak para colocar em computador que de uma hora para outra precisou ficar ligado 24h/dia. O computador antes era conectado a um estabilizador. O que fizeram? mantiveram o estabilizador, nele colocaram o nobreak e no nobreak o computador. E vai convencer esse povo de tirar o estabilizador. A pressão psicológica do "PLEC" é tão forte que o brasileiro não consegue viver sem um estabilizador no computador e alguns já o carregam junto com o laptop, e não se queixam do peso.
 
por salesio (anônimo) em 10 de julho de 2009 às 13h51
lembrando que um nobreak também possui um estabilizador interno, so que com bateria...
 
por Cristiano (anônimo) em 8 de julho de 2009 às 14h32
Uma dúvida?
Por exemplo, eu tenho uma fonte de 750 Real da Corsair, então o correto para mim seria um NoBreak de + de 750VA, ou melhor, um NoBreak de 900VA para trabalhar com folga. Um nobreak de 600VA então nem deixaria o computador ser ligado?
 
por Luferat (anônimo) em 8 de julho de 2009 às 10h12
É bom lembrar que a Aneel baixou uma portaria que obriga que qualquer unidade consumidora tenha um fator de potência mínimo de 0,92. Isso significa que cargas capacitivas e indutivas abaixo com fatores abaixo disso são um problema, principalmente para grandes consumidores que são cobrados diretamente pela diferença de consumo.

Pelo menos por enquanto, "teoricamente" consumidores residênciais não pagam pela energia reativa.
 
por DivisionByZero (anônimo) em 8 de julho de 2009 às 02h19
___Decidi trocar meu estabilizador por um no-breack pelo motivo de usar o computador para gravar programas de TV,o VirtualDub tinha dificuldades de ler o arquivo interrompido pela queda de energia.Meus outros Pcs feito de sucata usam apenas filtros de ruido.

Em eletricidade já sabia sobre a importância da correção do fator de potência(Banco de capacitores) mas não sabia disso nas fontes.

Materia esclarecedora muito obrigado