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Entendendo os HDs, parte 2

Por Carlos E. Morimoto em 13 de janeiro de 2010 às 14h55

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Continuando o Iniciantes: entendendo os HDs, vamos agora para um resumo do funcionamento físico dos HDs:

Dentro do disco rígido, os dados são gravados em discos magnéticos, chamados de platters. O nome "disco rígido" vem justamente do fato de os discos internos serem espessos e extremamente sólidos, diferente dos discos flexíveis usados nos antigos disquetes.

Os platters são compostos de duas camadas. A primeira é chamada de substrato, e nada mais é do que um disco metálico, feito de ligas de alumínio. Mais recentemente, alguns fabricantes passaram a utilizar também vidro, que oferece a vantagem de ser mais duro e um pouco mais leve, embora seja mais difícil de se trabalhar. Os primeiros HDs com discos de vidro foram os IBM Deskstar 75GXP, lançados em 2001.

Independentemente do material usado, o disco precisa ser completamente plano. Como os discos giram a grandes velocidades e as cabeças de leitura trabalham extremamente próximas da superfície magnética, qualquer variação seria fatal. Para atingir a perfeição necessária, o disco é polido em uma sala limpa, até que se torne perfeitamente plano. Vem então a parte final, que é a colocação da superfície magnética nos dois lados do disco.

Como a camada magnética tem apenas alguns milésimos de milímetro de espessura, ela é recoberta por uma fina camada protetora, que oferece alguma proteção contra pequenos impactos.

Os discos são montados em um eixo também feito de alumínio, que deve ser sólido o suficiente para evitar qualquer vibração dos discos, mesmo a altas rotações. Este é mais um componente que passa por um processo de polimento, já que os discos devem ficar perfeitamente presos e alinhados. No caso de HDs com vários discos, eles são separados usando espaçadores, novamente feitos de ligas de alumínio.

Finalmente, temos o motor de rotação, responsável por manter uma rotação constante. O motor é um dos maiores responsáveis pela durabilidade do disco rígido, pois uma grande parte das falhas graves provém justamente do motor.

Os HDs mais antigos utilizavam motores de 3.600 rotações por minuto, enquanto que atualmente são utilizados motores de 5.400, 7.200 ou 10.000 RPM. Nos HDs de notebook ainda são comuns motores de 4.200 RPM (devido à questão do consumo elétrico), mas os de 5.400 RPM já são maioria. Embora não seja o único, a velocidade de rotação é sem dúvida o fator que influencia mais diretamente no desempenho.

Para ler e gravar dados no disco, são usadas cabeças de leitura eletromagnéticas que são presas a um braço móvel, o que permite seu acesso a todo o disco. O braço de leitura é uma peça triangular, também feita de ligas de alumínio, para que seja ao mesmo tempo leve e resistente.

O mecanismo que movimenta o braço de leitura é chamado de actuator e atua através de atração e repulsão eletromagnética, sistema chamado de voice coil. Basicamente temos um eletroímã na base do braço móvel, que permite que a placa controladora o movimente variando rapidamente a potência e a polaridade do ímã.
Temos aqui um diagrama mostrando os principais componentes do HD:

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Ao ler um arquivo, a controladora posiciona a cabeça de leitura sobre a trilha onde está o primeiro setor referente a ele e espera que o disco gire até o setor correto. Este tempo inicial, necessário para iniciar a leitura, é chamado de tempo de acesso, e mesmo os HDs atuais de 7.200 RPM fica em torno de 12 milésimos de segundo, o que é uma eternidade em se tratando de tempo computacional. O HD é relativamente rápido ao ler setores sequenciais, mas ao ler vários pequenos arquivos espalhados pelo HD, o desempenho pode cair assustadoramente. É por isso que existem programas desfragmentadores, que procuram reorganizar a ordem dos arquivos, de forma que eles sejam gravados em setores contínuos.

Na época do Windows 95/98, desfragmentar o HD periodicamente era quase obrigatório, pois o desempenho caia rapidamente. Entretanto, sistemas de arquivos atuais (como o NTFS no Windows e o EXT3 no Linux) incluem sistemas bastante eficientes para reduzir a fragmentação do disco conforme os dados são gravados e movidos, o que praticamente elimina a necessidade de desfragmentar manualmente.

Continuando, outro dado interessante é a maneira como as cabeças de leitura leem os dados, sem tocar na camada magnética. Se você tiver a oportunidade de ver um disco rígido aberto, verá que, com os discos parados, as cabeças de leitura são pressionadas levemente em direção ao disco, tocando-o com uma certa pressão. Aqui temos o braço de leitura de um HD, depois de removido. Veja que mesmo sem o disco magnético entre elas, as duas cabeças de leitura pressionam-se mutuamente:

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Apesar disso, quando os discos giram à alta rotação, forma-se uma espécie de colchão de ar, que repele a cabeça de leitura, fazendo com que ela fique sempre a alguns nanômetros de distância dos discos. É o mesmo princípio utilizado na asa de um avião; a principal diferença neste caso é que a cabeça de leitura é fixa, enquanto os discos é que se movem, mas, de qualquer forma, o efeito é o mesmo. Como veremos a seguir, os HDs não são fechados hermeticamente, muito menos a vácuo, pois é necessário ar para criar o efeito.

Esta foto mostra a cabeça de leitura "flutuando" sobre o disco em movimento. A distância é tão curta que mesmo ao vivo você tem a impressão de que a cabeça está raspando no disco, embora na realidade não esteja.

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Naturalmente, qualquer HD aberto fora de uma sala limpa acaba sendo impregnado por partículas de poeira e por isso condenado a apresentar badblocks e outros defeitos depois de alguns minutos de operação.

Todo HD é montado e selado em um ambiente livre de partículas, as famosas salas limpas. Apesar disso, eles não são hermeticamente fechados. Em qualquer HD, você encontra um pequeno orifício para entrada de ar (geralmente escondido embaixo da placa lógica ou diretamente sob a tampa superior), que permite que pequenos volumes de ar entrem e saiam, mantendo a pressão interna do HD sempre igual à do ambiente. Esse orifício é sempre protegido por um filtro, que impede a entrada de partículas de poeira.

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Internamente, o HD possui um segundo filtro, que filtra continuamente o ar movimentado pelos discos. Ele tem a função de capturar as partículas que se desprendam dos componentes internos durante o uso, devido a desgaste ou choques diversos. Aqui temos uma foto de um, preso num dos cantos da parte interna do HD:

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20 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 21 de março de 2011 às 16h28

Comentários

 
por Mtk (anônimo) em 2 de julho de 2010 às 03h39
Realmente mto bom,estão de parabens
 
por JonataAraujo (anônimo) em 20 de maio de 2010 às 11h48
Estão de Parabéns , Otima materia xD
 
por mikazukinoyaiba (anônimo) em 19 de maio de 2010 às 10h11
eu queria saber d uma coisa, eu sou técnico em montagem e manutenção e tenho um cliente q está reclamando q seu HD faz alguns barulhos estranhos quando é ligado, ele faz ruídos no início e acelera de uma vez e depois ~dá uns tiques como se estivesse parando, eu queria saber se deve ser comprado outro HD ou se o problema é simples.
 
por ShihPhu (anônimo) em 15 de abril de 2010 às 20h21
jah havia lido, mas esqueço facil XD,
mas foi bom ler de novo.
e tb a linguagem usada nas obras do Morimoto eh interessante.

noob forever
 
por raposa noturna (anônimo) em 2 de março de 2010 às 21h46
:D
eu ja sabia disso
eu acho uma M o fato dos laptops (notebooks, tanto faz!!!) terem um HD mais lento só pra economizar energia!
então pq nao criam uma bateria de 30 celulas???
eu ja sabia disso.
mai foi interessante ler esse artigo para saber dos laptops.
 
por roma (anônimo) em 12 de fevereiro de 2010 às 16h49
Apesar de usuário de PC desde 1981 (hoje tenho 65 anos) nunca imaginei que conseguiria ter a mínima idéia sobre o funcionamento da gravação e leitura no HD. O artigo é básico mas esclarecedor. Agora satisfeito, morrerei mais tranqüilo. roma
 
por alex maciel (anônimo) em 11 de fevereiro de 2010 às 14h06
gostaria de entender melhor

bem resumido
 
por Marino (anônimo) em 5 de fevereiro de 2010 às 23h57
Gostei muito.O excelente.
 
por Cleuton (anônimo) em 24 de janeiro de 2010 às 20h42
Muito bom esse blog...
Parabéns.
cada vez aprendo mais
continuem assim xD...
 
por Esmeraldo António (anônimo) em 19 de janeiro de 2010 às 22h53
puxa!!! C é BOM demais professor.