Índice das dicas

Codecs e pacotes adicionais no Ubuntu

Por Carlos E. Morimoto em 1 de março de 2009 às 05h19

15

O formato mais rudimentar para codificação de áudio é o WAV, que simplesmente armazena o som em formato não comprimido. Similarmente, o formato RAW permite salvar vídeos sem compressão, simplesmente gerando uma seqüência de imagens em bitmap com os quadros do vídeo. Os dois formatos são bastante simples e exigem pouco processamento para serem exibidos.

O grande problema é que os arquivos são muito grande, o que os torna impróprios para transmissão via web, ou mesmo para uso em sistemas de TV digital. Isso levou ao surgimento de diversos sistemas de compressão de áudio e vídeo, como o MP3, AAC, Vorbis (OGG), FLAC, MPEG-4, Theora, WMV e tantos outros, que permitem gerar arquivos menores.

Estes formatos podem ser divididos em dois grupos: os formatos livres, como o OGG, o FLAC e o Theora, cujos codecs podem ser distribuídos livremente e que por isso podem ser encontrados pré-instalados em quase todas as distribuições atuais e os formatos proprietários e/ou patenteados, como o MP3, AAC, MPEG-4, etc. cujos proprietários criam obstáculos para uso no Linux (e para a inclusão em players open-source ou gratuitos de maneira geral), restringindo ou cobrando royalties sobre a distribuição dos codecs.

Por melhores que sejam os codecs livres, na maioria dos casos a escolha do codec usado não é exatamente uma escolha, pois é feita não por você, mas sim por quem gerou o arquivo. Isso faz com que, no final das contas, você não tenha muita escolha a não ser manter uma boa coleção de codecs instalados, de maneira a poder abrir vários tipos de arquivos.

Entram em cena então os projetos de codecs open-source, como o Lame, que permite ouvir e gerar arquivos mp3. Eles são desenvolvidos através de engenharia reversa, onde o desenvolvedor analisa o resultado da codificação e decodificação usando os codecs originais e desenvolve um algoritmo próprio que gere um resultado similar. Estes algoritmos, juntamente com o restante do código-fonte são protegidos pela lei da livre expressão, uma vez que são apenas uma forma de descrever o funcionamento do algoritmo. Entretanto, quando compilados eles se enquadram na questão das patentes, o que dificulta a distribuição.

É importante enfatizar que a distribuição dos pacotes compilados do Lame e de outros codecs open-source não tem nada de ilegal. O grande problema é que abre margem para cobrança de royalties por parte dos detentores dos direitos, o que faz com que praticamente nenhuma das grandes distribuições os incluam por padrão, muito embora você possa instalá-los facilmente através de repositórios adicionais, como no caso do PLF (do Mandriva) e o Medibuntu, no caso do Ubuntu.

Por conter pacotes restritos e proprietários, ele não vem ativado por padrão, mas você pode ativá-lo adicionando a linha abaixo no arquivo /etc/apt/sources.list:

deb http://packages.medibuntu.org/ intrepid free non-free

O "intrepid" corresponde à versão do Ubuntu em uso. Não se esqueça de substituí-lo por jaunty se estiver usando o 9.04 e de rodar o "apt-get update" depois de salvar o arquivo.

Mas primeiras versões do Ubuntu, a Conical adotou uma postura bem conservadora, não incluindo os codecs em nenhum dos repositórios e não oferecendo nenhuma maneira simples de instalá-los. Com isso, os usuários precisavam adicionar os repositórios e instalá-los manualmente, o que levou ao surgimento de projetos como o Automatix, um conjunto de scripts que automatizava a instalação.

Nas versões atuais, as coisas são muito mais simples. A maior parte dos pacotes necessários são disponibilizados através do repositório multiverse e, ao tentar abrir um arquivo em um formato não suportado, o reprodutor de mídia dispara um assistente que localiza os pacotes necessários e oferece a instalação:

img_html_6f225374

Você pode também instalar os pacotes diretamente usando o apt-get:

# apt-get install gstreamer0.10-ffmpeg gstreamer0.10-plugins-good gstreamer0.10-plugins-bad-multiverse gstreamer0.10-lame

Outra facilidade é o pacote "ubuntu-restricted-extras ", um metapacote que se encarrega da instalação de diversos componentes, incluindo o suporte a flash e java no Firefox, um conjunto bastante completo de codecs e até mesmo o pacote msttcorefonts, que instala algunas fontes truetype do Windows:

$ sudo apt-get install ubuntu-restricted-extras

Assim como outros metapacotes, o ubuntu-restricted-extras é apenas um pacote vazio, que lista vários outros pacotes em sua lista de dependências. Ao instalá-lo, o apt verifica a lista e instala junto todos os pacotes citados. Em outras palavras, ele é apenas uma âncora, destinada a facilitar a instalação de um grupo pode outros pacotes. Instalá-lo, equivale a instalar manualmente os pacotes:

gstreamer0.10-plugins-ugly
gstreamer0.10-plugins-ugly-multiverse
msttcorefonts
flashplugin-nonfree
unrar
gstreamer0.10-plugins-bad
gstreamer0.10-plugins-bad-multiverse
gstreamer0.10-ffmpeg
libavcodec-unstripped-51
gstreamer0.10-pitfdll
libmp3lame0
libdvdread3
sun-java6-plugin

Para ativar o suporte a DVDs protegidos nos players de vídeo, é preciso instalar o pacote libdvdcss2, que inclui a biblioteca necessária para quebrar a encriptação. Ele complementa o pacote "libdvdread3", que permite visualizar os menus de abertura dos DVDs. Ele está disponível no repositório do Medibuntu, que você precisa ter ativado previamente:

$ sudo apt-get install libdvdcss2

Diferente de softwares anteriores, que utilizavam um conjunto de chaves de encriptação crackeadas para ganhar acesso aos DVDs, o libdvdcss utiliza um sistema mais elegante, onde a biblioteca gera um conjunto de chaves de desencriptação, que testa uma a uma até encontrar uma que permita abrir o disco. A legalidade do libdvdcss2 nunca foi contestada na justiça (e é improvável que isso aconteça agora, quando o DVD já está em processo de substituição pelo BlueRay), mas a possibilidade de contestação com base no DMCA (a lei norte-americana que proíbe a circunvenção de sistemas de criptografia) faz com que ele não seja incluído nos repositórios oficiais do Ubuntu, daí a necessidade de instalá-lo a partir do Medibuntu.

Uma vantagem de utilizar o libdvdcss2 é que ele permite que o player ignore a seleção de região do drive, permitindo que você assista DVDs de qualquer parte do mundo. A maioria dos DVDs são abertos instantaneamente, usando uma das chaves geradas, mas alguns obrigam o sistema a realizar um ataque de força bruta, que demora vários minutos. Nesses casos, o player fica vários minutos tentando abrir o DVD até que consiga quebrar o algoritmo.

Uma curiosidade é que o libdvdcss2 é largamente utilizado também por players de mídia no Windows, como uma maneira de incluir suporte a DVDs sem precisar pagar royalties. Ele é também usado no VLC.

Outro pacote recomendável em se tratando de formatos de mídia é o w32codecs, que permite abrir arquivos WMV e QuickTime. Ele inclui alguns arquivos .dll extraídos dos players para Windows o que faz com que (muito embora os players sejam de uso gratuito) eles sejam considerados proprietários e por isso não incluídos nos repositórios principais. Este é mais um pacote que pode ser encontrado apenas no Medibuntu:

$ sudo apt-get install w32codecs

Se por acaso a placa de som não tiver sido detectada pelo sistema, experimente instalar o pacote "alsa-firmware". Ele inclui alguns firmwares proprietários que são necessários para ativar algumas placas, como a ESS Maestro3, Tascam USX2Y USB, Turtle Beach Wavefront e a Yamaha DS-1 PCI. Depois de instalá-los, rode o "sudo alsaconf" no terminal (ou reinicie o micro) e ela deverá passar a funcionar normalmente:

$ sudo apt-get install alsa-firmware

O Medibuntu inclui também pacotes para o Acrobat Reader, Skype e Google Earth. Estes pacotes possuem exatamente os mesmos arquivos que seriam copiados ao instalar os aplicativos manualmente. A vantagem é que a instalação é mais simples e você passa a poder atualizá-los via apt-get, juntamente com o restante do sistema:

$ sudo apt-get install acroread skype googleearth

O Ubuntu utiliza por padrão o Totem, que é o player padrão do Gnome. Ele foi criticado nas primeiras versões por incluir poucas funções, ma nas versões atuais ele se tornou um player bastante competente. De qualquer maneira, é interessante ter à mão também o VLC e o Mplayer, que permitem abrir muitos vídeos danificados ou em formatos exóticos, onde Totem pede água:

$ sudo apt-gt install vlc mplayer

Outra boa opção é o Dragonplayer, um derivado do Mplayer, que utiliza uma interface simples. Ele depende de várias bibliotecas do KDE, por isso é interessante apenas se você pretender instalar também outros aplicativos baseados no QT:

$ sudo apt-get install dragonplayer

15 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 23 de março de 2011 às 11h16

Comentários

 
por Thiago (anônimo) em 14 de outubro de 2010 às 11h10
Pessoal,

Uso uma máquina com Ubuntu 10.04 sem Internet. Baixei os pacotes Lame e gst-plugins num pendrive mas não consigo instalar nada. Como faço pra instalar esses pacotes offline?

Desde já agradeço muito!
 
por Franco (anônimo) em 10 de julho de 2010 às 13h16
Como instalar esses pacotes em um netbook?

trata-se de um Acer Aspire One 110 rodando o ubuntu remix netbook.

Quero os pacotes para mp3, além de formatos de vídeo como o rmvb, e outros tpoprietários.

Desde já obrigado.

francocostagondim@gmail.com
 
por Leandro (anônimo) em 26 de março de 2009 às 20h40
esse install w32codecs não deu certo no ubuntu intrepid
 
por Guilherme Mac (anônimo) em 7 de março de 2009 às 23h41
capitaokapp, vc tem q adicionar a GPG Key:
sudo apt-get update && sudo apt-get install medibuntu-keyring && sudo apt-get update
 
por capitaokapp (anônimo) em 2 de março de 2009 às 22h39
instalando o repositório http://packages.medibuntu.org/ hardy free non-free
Obtive o seguinte erro de chave:
http://packages.medibuntu.org hardy Release: As assinaturas a seguir não puderam ser verificadas devido a chave pública não estar disponível: NO_PUBKEY 2EBC26B60C5A2783
W: Você terá que executar apt-get update para corrigir esses problemas
Daí tentei fazer no padrão Kurumin (k-add-key):
root@kappmoto:/home/norton# gpg --keyserver pgpkeys.mit.edu --recv-key B60C5A2783
gpg: diretório `/root/.gnupg' criado
gpg: novo arquivo de configuração `/root/.gnupg/gpg.conf' criado
gpg: AVISO: as opções em `/root/.gnupg/gpg.conf' não estão ativas ainda durante este funcionamento
gpg: chaveiro `/root/.gnupg/secring.gpg' criado
gpg: chaveiro `/root/.gnupg/pubring.gpg' criado
gpg: "B60C5A2783" não uma chave ID: pulando
continuei:
root@kappmoto:/home/norton# gpg -a --export B60C5A2783
gpg: AVISO: nada exportado
e agora nas instalações estou recebendo aqueles avisos de falta de autenticação.

Pergunto, qual a maneira de se inserir chaves no ubuntu???
 
por Newton (anônimo) em 2 de março de 2009 às 15h44
Para Nil Santana e Hugo Henrique:
O problema é que não existe java-plugin para o Firefox na plataforma AMD64.
O gcj-webplugin existe mas não funciona com o Banco do Brasil.
A melhor solução para quem usa o KDE 3.X é utilizar o konqueror para acessar os sites de banco. Ele não precisa de plugin basta instalar o java que ele o uitiliza.
 
por Hugo Henrique (sgesweb/ java/ piroca) - Belo Horizonte, MG (anônimo) em 2 de março de 2009 às 13h32
Para Nil Santana:
Sobre o plugin do Firefox, nos sistemas de pacotes, ele fica num pacote à parte, "sun-javaN-plugin" ('N' é a versão).
"gcj-webplugin-versão", se vc estiver usando o JRE do GNU.
 
por Rubens Baumgratz (anônimo) em 2 de março de 2009 às 12h42
Boa dica Morimoto, conforme o Felipe Acácio disse acima, vários usuários desistem do Linux simplesmente devido a dificuldade de visualizar arquivos multimidia.
 
por Filipe Acácio - Fortaleza, Ce (anônimo) em 2 de março de 2009 às 09h50
Ótimo artigo! Tem muitas pessoas que resistem ao uso do linux pq acham muito complicado deixar o sistema "redondo" para multimidia.
 
por MaxRaven (anônimo) em 1 de março de 2009 às 21h25
Como esses codecs, independente de plataforma, é uma amolação sem tamanho. Como diria o Boris, isso é uma vergonha!

No windão aqueles codecs packs são a alegria da galera, uma mão na roda, mas instala muita tranqueira junto, se o cara não abrir o olho instala até uns adware junto.

Já no Linux, invariavelmente, tem de fazer malabarismos, a melhor solução que vi até agora é a da Mandriva, pena que tem hora que falha.

É instalado um programinha de uma loja virtual de codecs, quando vc vai rodar algo que não o codec instalado, ele abre automaticamente e lhe oferece duas versões, a paga, oferecida pelo loja, e uma outra, oferecida pela comunidade (será que alguem compra codecs?), que é a que tem minha preferencia sempre.

Se não me engano o Ubuntu também fez algo parecido, lembro de ter testado uma versão que baixava os codecs on-demand, isso foi retirado?