Índice - Artigos

O OpenOffice.org deveria ser uma suíte light?

Por Ednei Pacheco em 2 de setembro de 2010 às 12h39

18

Introdução

Não é que esteja reclamando do desempenho e consumo energético das versões atuais do OpenOffice.org, muito pelo contrário: ele vem rodando redondinho em meu netbook, que é uma máquina com capacidade de processamento limitada. No entanto, ao olhar para o poderoso e consagrado Microsoft Office, me parece que ter um perfil de uma suíte Office leve, rápida e de fácil manutenção, pode ser uma ideia interessante para o futuro da suíte. Então, que vantagens teríamos se as futuras versões do OpenOffice.org fossem concebidas para serem lights?

90% dos usuários não utilizam os recursos avançados de um bom editor de textos. Por exemplo, as pessoas comuns normalmente editam textos simples (presumindo que façam o uso dos estilos), inserem algumas figuras, definem pequenas tabelas, numeram as páginas no rodapé e, dependendo do caso, inserem índices gerais para facilitar a consulta. No final, realizam uma verificação ortográfica geral e salvam, destinando o trabalho feito para impressões, envios ou até mesmo arquivamento, para uso posterior. Portanto, muitos recursos não tão essenciais simplesmente poderiam deixar de ser implementados. Ou ainda, serem suportados de modos mais simples e diferenciados (veremos sobre isso mais adiante).

Alguns aplicativos da suíte também não mostraram para quê vieram. O OpenOffice.org Draw nem sequer pode ser considerada uma séria opção para o uso em produção (nem dá para compará-lo com os consagrados Inkscape e o Xarax); já o OpenOffice.org Base, embora eficiente à sua maneira, faz parte de uma classe de aplicativo que poucos usuários casuais fazem o uso, já que estes normalmente se concentram mais em torno do trio editor de textos, planilha eletrônica e apresentação. Por fim, quantos leitores aqui já fizeram o uso do OpenOffice.org Formula?

Então, não me surpreenderia que estas aplicações - além de uma série de outros recursos não tão importantes assim - deixassem de existir, se fosse feita uma geral na suíte OpenOffice.org com o objetivo de deixá-la mais light, com objetividade. Consequentemente, além de emagrecer mais, a simplicidade geral da suíte lhe dará as características desejadas para torná-la muito mais fácil de manter e atualizar. E o mais importante: entram em cena, as novas oportunidades para serem exploradas...

A questão da disponibilidade do acesso a Internet é a principal oportunidade para o OpenOffice.org light. No Brasil (e em muitos outros países), nem sempre dispomos de uma boa infraestrutura para a oferta de serviços qualificados. Entre uma conexão ADSL que vira-e-mexe está sujeita a inúmeros problemas e uma alternativa 3G que oscila entre o ruim e o péssimo, simplesmente não dá para contar com os bons serviços online oferecidos, como o Google Docs. Queiram ou não, muitos usuários ainda são obrigados a se contentarem com as aplicações offline instaladas, consumindo preciosos recursos computacionais que seriam amenizados com o uso de uma suíte leve, como é o caso dos netbooks.

E falando em netbooks...

Como já estamos carecas de saber, os netbooks são uma classe de dispositivos móveis voltados para o uso em tarefas básicas, como o uso da na Internet e a editoração de documentos de escritório. Uma vez que optarmos por uma suíte leve (conforme propomos acima), não só garantiremos a satisfação dos usuários com o bom desempenho geral de seus netbooks, como também a sua autonomia poderá estender. Para finalizar, o enxuto pacote de instalação poderá ser baixado facilmente, até mesmo nas conexões críticas como o 3G. E uma vez que a suíte offline estiver sendo utilizada, disponibilizaremos toda a vazão do tráfego das conexões 3G para outros propósitos, ao invés de ter que compartilhá-la com uma suíte online que periódicamente precisa se conectar ao servidor.

Ainda temos que levar em consideração, que sempre teremos mais recursos à disponibilidade em uma suíte offline, se comparada às ofertas de suítes online já oferecidas. Por mais leve que seja o OpenOffice.org light, este sempre oferecerá mais recursos, já que as opções de suítes online obrigatoriamente terão os seus recursos limitados, pela necessidade de utilizar o mínimo de banda de tráfego (especialmente da banda-larga 3G), já que múltiplas instâncias (entenda-se usuários conectados) certamente sobrecarregarão os servidores que dispõem do serviço. Mas para torná-la atraente em netbooks, deveremos garantir que a suíte offline deverá economizar o mínimo possível de seus recursos!

As distribuições GNU/Linux (em especial o Ubuntu) poderão ter um papel preponderante para a sua disseminação, dado o alto nível de integração geral ao sistema que podem prover entre o ambiente gráfico e os seus aplicativos. Se observarmos mais atentamente os softwares livres disponíveis, poderemos notar que a grande maioria das aplicações são concebidas dentro de um conceito geral de simplicidade, como é o caso do Ubuntu: por se basear no GNOME como o ambiente gráfico padrão, todas as peças de softwares que o compõe são desenvolvidas dentro das recomendações do GNOME Human Interface Guidelines. Na Informática voltada para os usuários desktops, a usabilidade é tudo; e quanto mais simples e bem delineado for um aplicativo, melhor será para o seus sucesso.

Além dos aspectos técnicos, entram em cena também os aspectos mercadológicos, como a questão da segmentação. Nos dias atuais, encarar o Microsoft Office "de frente" não é lá uma atitude lá muito consciente, já que este incrível concorrente não só oferece recursos poderosos, como também possui uma gigantes base instalada de usuários que dificilmente irão trocar de suíte. Para que estes venham a desejar substituí-la, as alternativas gratuitas (como o OpenOffice.org) certamente serão consideradas, já que as opções online ainda deixam à desejar no quesito disponibilidade de recursos.

Por fim, temos que considerar seriamente o cenário atual: a Oracle adquiriu recentemente a Sun, criadora do OpenOffice.org e responsável pelo seu processo de desenvolvimento. Uma vez que esta empresa não possui políticas muito "amigáveis" com a comunidade do Software Livre, existe uma séria possibilidade de que o OpenOffice.org deixe de ser suportado por esta organização, o que seria um duro golpe devido à necessidade de um suporte forte em termos de infraestrutura para acomodar um projeto de tão grandes dimensões. Portanto, o "emagrecimento" certamente facilitaria a sua manutenção, por parte da comunidade se um dia ela vier a tomar conta integralmente desta suíte de escritório.

Eis, as minhas ideias (e devaneios) para uma computação melhor. O OpenOffice.org - um dos mais importantes softwares livres na atualidade - poderá se tornar a peça fundamental para a adoção das plataformas livres, ao mesmo tempo que ganhará notoriedade nas plataformas proprietárias, já que no mundo atual, a disponibilidade universal e a integração começam a dar as cartas. Inclusive, muitas das características do já consagrado Microsoft Office - restrito, proprietário e pesado - podem perfeitamente condená-lo, se novas medidas (entenda novos rumos) não forem tomadas. Eis, o momento ideal para tomar a dianteira!

Vai ver, o OpenOffice.org já é light à sua maneira... :-)

Por Ednei Pacheco <ednei.pacheco [at] gmail.com>

http://by-darkstar.blogspot.com/

18 comentáriosPor Ednei Pacheco. Revisado 2 de setembro de 2010 às 12h39

Comentários

OpenOffice
por johnny-walker (anônimo) em 16 de setembro de 2010 às 13h13
A única coisa que não gosto no OpenOffice é seu modo integrado em que não importa se o writer está aberto ele abre todo o conjunto de aplicativos, como o calc, writer e etc...
Acho o OpenOffice muito pesado e desde o StarOffice ele é assim, preferiria uma suit de aplicativos como Corel Word Perfect, bem mais leve e enxuto...

Outra que me incomoda é o corretor ortográfico que nunca funciona adequadamente e já era para consertar isto...

Quem prefere aplicaçoes mais leves existem o kwrite do kde que é bem leve por sinal...

bye
Basta fazer uma instalação personalizada
por Guilherme Beck (anônimo) em 10 de setembro de 2010 às 12h58
do BROffice e instalar só o Writer, o Calc e o Presentation. Como eu não uso os outros aplicativos da suíte, eu simplesmente não instalo. Fica enxuta e sem coisas que não vou usar. Agora, se for para ser light, que seja o tempo de carregamento, já que tem poucas coisas que, na minha opinião, dariam pra tirar. Eu faço uma instalação personalizada e excluo da interface os botões que nunca uso. Fica bom. Pena que a suite é pesada, sim. Demora um tempo razoável pra carregar. Só isso de ruim. Uso ela lado a lado com um Office97 e a diferença no tempo de carregamento é gritante. Abraços.
Conde por Francisco Dourado (anônimo)
Excelente idéia.
por Araken Batista (anônimo) em 7 de setembro de 2010 às 18h50
O que vale a pena mesmo é aproveitar e fazer a versão light carregar ultra-rápido! Isso sim é um diferencial importante. Não tem quem aguente esperar de 1 segundo a mais para o aplicativo carregar e ficar pronto para usar na tela !
Mr., rsrsrsr por Francisco Dourado (anônimo)
interessante artigo
por raphael (anônimo) em 13 de setembro de 2010 às 11h27
eu concordo em partes, mas algo que não foi falado é o suporte a java. se retirassem isto, já economizaria recursos do pc.
não vi ninguém falando da integração quase que total que se tem no openoffice, talvez seja isso que dificulte modifica-lo.
espero que este software mantenha updates constantes depois de mudar de dono. a cada versão ele melhorou bastante na antiga Sun.
Não é Bem assim...
por J. Niffinegger (anônimo) em 11 de setembro de 2010 às 19h40
O ideal é que o usuário escolha algumas das funções que vai usar. Uso há vários anos o BrOffice. Como sou professor de Matemática, o Math (editor de fórmulas) é indispensável... para quem precisava se virar com programas como o (pausa para achar o nome do programa) LaTeX (ufa!). Além disso, uso sempre que possível, versões portáveis para os programas em Windows, o que poupa trabalho para configurar, além de poder levar alguns comigo, entre eles o BrOffice.
Discordo
por Murilo Neto (anônimo) em 9 de setembro de 2010 às 18h39
Eu utilizo, e muito, o BrOffice.org Math, para criar fórmulas matemáticas para as minhas apostilas e provas, pois sou professor de Matemática. Não consigo sequer imaginar o OpenOffice sem o Math! Para mim, ele é essencial.

Já tentou digitar fórmulas matemáticas com o editor embutido do MS Word? Realmente é uma coisa tediosa e demorada. Você fica muito dependente do mouse.

A única coisa que sinto falta no Math é o alinhamento vertical automático das fórmulas inseridas no Writer, que ainda não foi implementado. Entretanto, é tão fácil alinhar as fórmulas manualmente que nem faz tanta falta assim.

Acho que simplificar a suíte vai prejudicar muitos usuários. Eu, por exemplo, utilizo todos os aplicativos do OpenOffice: Writer, Base, Calc, Draw, Math...

Um desenho feito no Draw, por exemplo, fica perfeito importado para o Writer. A interoperabilidade entre os aplicativos é enorme.
Instalação modular
por Antônio Marcos (anônimo) em 7 de setembro de 2010 às 23h05
Acho que o que mais agradaria a maioria poderia ser uma forma de instalar apenas o que se deseja.
Faz um tempão que o M$office permite isso, e eu mesmo nunca instalo coisas que não preciso. Uma possibilidade de instalar pedaços do sistema fazendo com que se possa reportar isso aos desenvolvedores poderia dar uma ideia da popularidade de cada "módulo". E com isso, saber o que precisa ou não ser priorizado.

Por outro lado, sei que são poucas as pessoas que se aventuram a ler todas as opções que o MSoffice dá na instalação. A maioria também segue o esquema "próximo, próximo, fim", sem mesmo ler as condições de uso...

Então sei lá.
OpenOffice.org Formula é útil também!
por Victor Aldecoa em 6 de setembro de 2010 às 12h39
Sou aluno de engenharia, e uso o Formula para fazer relatórios.
Minha cunhada é professora de matemática, e eu convenci ela a usar Ubuntu só por causa do OpenOffice.org Formula... hehehe

Mas eu realmente concordo com a idéia de instalação mínima com apenas os 3 básicos. É um desperdício instalar tudo pra todo mundo sendo que apenas 10% vão usar o Base, Draw e Formula. Separar eles em um pacote "completo" já ia ser muito bom.
A ideia é boa...
por robertobech em 4 de setembro de 2010 às 15h24
Eu também preferia que o OpenOffice fosse mais light. Entendo a importância de ter um big-momma-office no Linux, mas que cairia bem uma versãozinha light, isso cairia. Seria ótimo ter editores de texto e planilhas baseados no OO, só que separados e mais simples.

O meu PC até é bom, mas acho o OO muito pesado. Já tentei inúmeras vezes usar o Abiword, mas aquele treco é impossível de usar. A interface para manipulação de estios é absolutamente grotesca, acho incrível que eles se preocupem em implementar recursos avançados, como a edição colaborativa, sem acertar primeiro essa parte que é básica. É pena, porque se não fosse por isso eu talvez usasse o Abiword, curto o visual dele. Ah, sim, também tem um problema com os ODTs que ele gera... ok, esqueçam que eu falei no Abiword.

Interessante ler os comentários sobre o Draw. Eu sempre achei o programa inútil também, mas pelo visto é questão de público-alvo mesmo, legal saber que ele é útil. O Base eu já vi sendo usado de forma interessante para montagem de contratos em uma imobiliária, puxando informações do banco de dados local de clientes, coisa interessantíssima e muito prática.
Pode até ser....
por gilvane.neo em 4 de setembro de 2010 às 12h53
...desde que a versão completa também esteja disponível, a diversidade de recursos é que vai fazer com que esta alcance um maior número de usuários.

Em relação ao Draw eu o utilizo muito já uilizei até para criar a arte de uma camiseta.