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­Firefogg: converta vídeos com padrões abertos pelo Firefox

Por Gary Richmond em 22 de fevereiro de 2010 às 10h17

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Introdução

Firefogg: Transcoding videos to open web standards with Mozilla Firefox
Autor original: Gary Richmond
Publicado originalmente no:
freesoftwaremagazine.com
Tradução: Roberto Bechtlufft

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Players de áudio e vídeo não faltam no GNU/Linux, mas eles vivem em um mundo cheio de codecs, dentre os quais os maiores culpados são o MP3, o AAC, o WMA e o (Adobe) Flash. Eu digo "culpados" porque eles não são codecs livres e abertos, e são cobertos por patentes; a maioria dos sites com áudio e vídeo embutidos usam esses codecs, e a maioria das pessoas que acessam esses sites o fazem usando outro software patenteado, o Windows. O GNU/Linux é uma boa alternativa ao Windows, e todas as distros já vêm com uma alternativa livre e aberta para multimídia: o Ogg. Você já deve imaginar que esses players sejam compatíveis com o Ogg, mas e se eu lhe dissesse que o Firefox não só pode lidar com esse codec como também pode ser usado para converter vídeos para esse formato? Interessado? Então continue lendo.


Firefox, teu nome é versatilidade


É uma chatice danada ter que usar plugins de terceiros para exibir conteúdo multimídia, especialmente quando os plugins são proprietários (como no caso do Flash, da Adobe). A comunidade do software livre respondeu com uma versão sem patentes chamada Gnash, que obteve sucesso limitado. Livre ou não, o plugin do Flash continua sendo um plugin; além do mais, dá para contar nos dedos de uma mão quantos sites hospedam conteúdo em Ogg. Nem preciso dizer que o Ogg é um codec com suporte incondicional de Richard Stallman e da Free Software Foundation, mas ficar só na intenção não adianta. Por exemplo, eu tenho um velho player iRiver que toca MP3. Ele é um dos poucos players com suporte a Ogg, o que é algo meio supérfluo, já que poucos sites oferecem conteúdo em Ogg.

Para tentar equilibrar as coisas, a comunidade web está desenvolvendo uma tag de vídeo no HTML 5 (que conta com suporte nos produtos da Mozilla, no Google Chrome e no Safari da Apple, mas não nos produtos da Microsoft) que acabaria com a necessidade de plugins. Essa tag tem suporte ao Ogg e a um formato mais popular, o H.264, usado pelo YouTube (os destinos do Ogg e do HTML 5 parecem estar cruzados). Começou a batalha para ver qual dos dois (talvez ambos) vai se tornar o codec mais usado. O H.264 é protegido por patentes, ou seja, se você quiser um codec sem complicações legais, parta para o Ogg. Para um bom resumo sobre todos os codecs e problemas envolvidos, consulte a Roughly Drafted Magazine (em inglês).

Obviamente, você ainda vai gastar horas baixando vídeos da internet e a maioria deles estará em formatos não livres. Mas nada o impede de fazer a conversão para Ogg após o download. Como eu já disse, o GNU/Linux tem um monte de players de mídia, é só dar uma olhadinha no site linuxlinks.com para conferir. Alguns deles também permitem converter vídeos.

O VLC é o arrasa-quarteirão dos players multimídia. Ele tem um pouco de tudo, e pode lidar com praticamente qualquer coisa que você mandar para ele (e tem alguns recursos que você talvez nem conheça), mas pode ser um pouco demais para quem só quer converter vídeos pequenos. O VLC, o Kino, o Cinelerra e o HandBrake são bons para cuidar do trabalho pesado em filmes grandes, mas a maioria de nós está mais acostumada a lidar com vídeos de duração semelhante aos de vídeos do YouTube. E é aí que o Firefox se destaca, com a ajuda de um complemento chamado Firefogg. Pois é, esses complementos quebram um galho danado.


Firefogg: dando trabalho para o servidor


Você não vai encontrar o Firefogg no site oficial de complementos da Mozilla. É preciso obtê-lo na página do Firefogg, que contém o link para a instalação. A grande vantagem desse complemento é que ele joga para o site para o qual você está subindo o vídeo o trabalho pesado de fazer a conversão. Conforme os algoritmos de conversão vão ficando mais complexos e eficientes, a carga imposta aos processadores vai crescendo. Por isso, a conversão local de vídeos não cai muito bem com a execução de outras tarefas simultâneas em computadores mais lentos.

O lado negativo do Firefogg é que ele é absolutamente dependente da conexão com a internet. Você precisa ter uma conexão rápida e confiável; ainda assim, se a conexão cair, o Firefogg permite retomar o upload de onde você parou. Se não tiver acesso à internet, você vai ter que apelar para aplicativos feitos para o desktop, o que não vai ser problema se você ignorar o fato de que o Firefogg foi desenvolvido principalmente para converter e subir vídeos para sites capazes de hospedar conteúdo em Ogg (no momento, ele tem suporte a apenas dois sites, e mais dois estão a caminho, sendo que um deles é a Wikipedia).

Mas se você estiver em outra máquina que não tenha um programa instalado para fazer a conversão, o Firefogg pode salvar a pátria. E ainda temos um ótimo bônus: o Firefogg é impecavelmente livre e aberto. Ele parece ter nascido como um projeto do Xiph.org para o Google Summer of Code, que buscava "criar uma extensão do Firefox que gravasse som localmente e o transmitisse para um servidor do Icecast", mas como de costume, o projeto acabou tomando um outro rumo interessante.

Mas isso tudo é na teoria. E na hora do vamos ver, como se sai o Firefogg? Para começar, baixe o complemento. É só visitar o site. Você vai precisar do Firefox 3.5. A página inicial tem o link para o download. Instale-o e reinicie o Firefox. Aliás, uma reclamação rápida: quando é que o Firefox vai fazer como o Opera e o Chrome/Chromium, permitindo a instalação de complementos sem a necessidade de reiniciar o navegador? E não se esqueça de habilitar o JavaScript no Firefox.

Firefogg_install_page

Figura 1: página de instalação do Firefogg

A função principal desse complemento é subir vídeos em Ogg para seu site, mas você também pode converter vídeos para o seu HD ou para outros dispositivos removíveis. Eu tenho uns service menus no KDE que cuidam da conversão de áudio e vídeo, mas os programas que fazem a conversão estão instalados em um computador específico. O Firefogg pode ser usado em qualquer computador que tenha uma conexão com a internet.

Depois de reiniciar o Firefox, clique no link Make Ogg Video (criar vídeo em Ogg) no lado direito da página inicial e um novo link será exibido, Select file (escolha um arquivo):

From_here_select_a_local_file

Figura 2: escolha um arquivo local

Escolha um vídeo para converter. Tenho vídeos em vários formatos, incluindo MP4 e Flash. A caixa de diálogo de arquivos será aberta:

Local_file_directory

Figura 3: pasta de arquivos locais

Para testar, converti um vídeo em MP4 do James Taylor para Ogg. Uma vez selecionado o arquivo, o Firefogg oferece ao usuário uma opção padrão de codificação, mas há muitas outras opções avançadas:

Default_and_advanced_options

Figura 4: a opção padrão e outras opções avançadas

Para quem estiver convertendo o vídeo para embutir em seu site, o Firefogg oferece a opção de conversão para economia de banda, por motivos óbvios. Se for gravar o vídeo convertido em Ogg no seu HD, escolha a opção de alta qualidade, embora isso leve mais tempo e gere um arquivo maior. As configurações mais altas de áudio e vídeo acrescentaram 10 MB ao vídeo do James Taylor que eu usei. O Firefogg também oferece codificação "two pass", mas essa opção provavelmente tem mais relevância em termos de qualidade para quem usa o codec H.264.

De acordo com o site Floss Manual, a maior vantagem da codificação "two pass" para vídeos em Ogg é poder determinar o tamanho final do arquivo para que ele caiba em um CD ou DVD. Isso não tem importância quando só o que queremos é subir um vídeo para nosso site ou salvar uma cópia no HD. Seja como for, considerando-se a taxa de bits e o tamanho do arquivo, praticamente não há diferença entre um vídeo H.264 do YouTube e um arquivo de vídeo convertido para Ogg. Parece que não é só a Microsoft que gosta de espalhar FUD por aí. É claro que é bom ter a comodidade de usar uma interface gráfica movida a cliques do mouse, mas ainda assim você vai ter que conhecer um pouco de terminologia para lidar com as configurações de áudio e vídeo. O recurso mais simples do Firefogg está em Encoding range (intervalo de codificação). Expanda-o para que o Firefogg revele um recurso útil a todos que queiram apenas converter, salvar ou fazer upload de uma seção de áudio ou vídeo, especificando o tempo de início e término.

E aqui temos uma boa sacada dos desenvolvedores: passe o mouse sobre os ícones azuis de informações de cada submenu e a terminologia será esclarecida. Em alguns casos, haverá até um link para que você se aprofunde sobre o termo na Wikipedia (por exemplo, "Framerate", que tem 30 como valor máximo no Firefogg, ou "Aspect ratio", que oferece duas opções comuns, 16:9 e 4:3).

O Firefogg também tem uma barra que exibe o progresso da conversão, e quando o serviço é concluído, ainda temos uma opção de visualização (cortesia da tag de vídeo do HTML 5), com opções para salvar a saída no HD local ou em um dispositivo removível. Outra opção oferecida é "enviar vídeo", ou seja, subi-lo para sites capazes de usar o Firefogg.

Firefogg%27s_preview_and_save_options

Figura 5: opções de visualização e gravação do Firefogg

Se você mesmo hospeda seu site, vai poder usar a API JavaScript do Firefogg para incluir nele a compatibilidade com o Firefogg (para quem quer embutir o Firefogg no site, já existem alguns widgets disponíveis em Ohloh.net, caso você não tenha tempo de fazer um por conta própria). A API oferece a opção de converter e fazer upload, ou de converter e iniciar um POST HTTP em várias partes logo em seguida. Na versão Wikimedia Commons você ainda ganha um bônus: o arquivo não só é convertido e carregado para o

Conclusão: conversão na nuvem?


A ideia que move o Firefogg o põe no meio da batalha pela adoção de padrões livres e abertos para vídeo na web. Ele não foi feito para ser um aplicativo independente para a conversão de multimídia no desktop, mas pode ser usado tranquilamente para esse fim. Como acontece com tantos outros projetos, outros desenvolvedores embarcaram nessa e estão conduzindo o Firefogg a novos rumos; porém, o propósito central do Firefogg se revela no apoio que recebe da FSF, de Richard Stallman e do Wikimedia Commons.

Os desenvolvedores do Firefogg têm um claro compromisso com os padrões livres e abertos. Além do Ogg, a ideia é ser compatível com o Flac, o Speex ("um codec livre para quem quer se expressar livremente", parte do Projeto GNU) e o Celt (usado pelo Ekiga, uma alternativa ao Skype). Há promessas de um recurso de upload para a Wikipedia, mas quem não quiser esperar e estiver disposto a explorar mais pode ir até test.wikipedia.org e ativar o Add Media Wizard (assistente para edição de mídia) em suas configurações. Isso irá acrescentar ao site um botão de upload do Firefogg.

Chris Blizzard, da Mozilla, escreveu um script do Greasemonkey chamado Theoratube, que sincroniza com o Firefogg e pega vídeos do YouTube, converte-os para Theora e torna a transmiti-los ao navegador através de uma URL específica. Bland explica como isso funciona em seu site.

O que essas iniciativas têm em comum é a capacidade de promover padrões multimídia abertos pela web, usando a própria web como plataforma para conversão na nuvem. Como de costume, os rabugentos da vez são a Microsoft e o Internet Explorer. Quanto mais as pessoas usarem o Firefox e o Chromium, menores serão as barreiras à adoção do HTML 5 e do Ogg. Ainda assim, vai ser uma guerra estabelecer e manter os padrões abertos em contrapartida aos interesses proprietários. O Firefogg com certeza já é uma ajuda.

Créditos a Gary Richmond - freesoftwaremagazine.com
Tradução por Roberto Bechtlufft <info at bechtranslations.com.br>

Sem comentáriosPor Gary Richmond. Revisado 22 de fevereiro de 2010 às 11h19

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