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iPad, Slate e a era dos tablets
Por Carlos E. Morimoto em 28 de janeiro de 2010 às 14h36
2O iPad
O sucesso do Kindle inspirou o lançamento de outros leitores de e-books, como o Nook da Barney & Noble (também vendido apenas nos EUA) e outros modelos, que atraíram a atenção da Apple, levando ao lançamento do iPad:

O iPad é baseado no chip Apple A4, um SoC personalizado, contendo um processador ARM de 1.0 GHz e um acelerador 3D. A tela é um LCD IPS de 9.7 polegadas, com uma resolução de 1024x768, iluminação LED e touchscreen.
Ele inclui de 16 a 64 GB de memória flash para armazenamento de dados (de acordo com a versão), Bluetooth, acelerômetro e usa um transmissor Wi-Fi como interface primária de conexão, com a opção de um transmissor 3G+GPS nas versões mais caras. Ele mede 24.3 x 19 cm (com 13.4 mm de espessura) e pesa 680 gramas, o que é o dobro do Kindle, mas bem menos que um netbook.
O uso da plataforma ARM foi essencial para reduzir o consumo elétrico, já que seria quase impossível oferecer 10 horas de autonomia em um aparelho deste tamanho usando o Atom.

Se você ele achou o iPad parecido com um iPod Touch, não está sozinho. Em essência ele é uma versão crescida do iPod, com uma tela maior e suporte a vídeos 720p, destinada à leitura de e-books, navegação web, áudio e jogos. O sistema operacional é o mesmo iPhone OS que dá vida ao iPod touch e ao iPhone 3G, equipado com versões de alta resolução do Google Maps (o GPS está disponível apenas nas versões com transmissor 3G), iPhoto e outros aplicativos.
Assim como no caso do Kindle, a maior parte da utilidade do iPad não está no hardware propriamente dito, mas sim no conteúdo para ele. A Apple integrou o iPad ao iTunes, permitindo que você tenha acesso às músicas e vídeos compradas através da loja e anunciou a iBookstore, destinada à venda de e-books e assinaturas digitais de jornais e revistas.
Por outro lado, ele não é e nem será compatível com outras lojas de conteúdos, já que a Apple retém o controle sobre a plataforma. Em outras palavras, grande parte da utilidade do iPad é determinada pelo valor que o conteúdo do iTunes tem para você.
A navegação web funciona da mesma forma que no iPod ou iPhone, com o uso de gestos para a interface e de um teclado virtual para a digitação de texto. Entretanto o tamanho maior faz com que a ergonomia seja um pouco diferente, já que você não pode usar os dois polegares para digitar. Embora impressione nos primeiros minutos, a tela touchscreen acaba sendo mais cansativa que um mouse para uso prolongado, já que você precisa fazer movimentos bem maiores para usar a interface, ao mesmo tempo em que segura o iPad com a outra mão:

A Apple anunciou também um teclado (vendido separadamente por US$ 69) que é acoplado na porta inferior, funcionando como um dock. Entretanto ele estraga completamente o conceito, transformando o iPad em uma espécie de netbook de pobre:

O iPad não possui uma webcam, o que não faz muita diferença do ponto de vista de um dispositivo para leitura ou consumo de mídia, mas limita o uso do iPad como dispositivo de comunicação, eliminando a possibilidade de usá-lo para fazer videoconferência. De qualquer maneira, o público alvo do iPad é composto por usuários que já possuem um PC ou notebook, que podem muito bem assumir a tarefa.
A principal limitação do iPad diz respeito à plataforma de software, já que ele roda o iPhone OS, e não o MacOS X. Isso faz com que ele seja limitado aos aplicativos oferecidos através da AppStore, sem possibilidade de rodar aplicativos de desktop e nem de rodar o Windows através do Boot Camp, como seria possível em um MacBook. O próprio navegador é a versão móvel do Safari, sem suporte a flash.
No lugar dos aplicativos do MacOS X, o iPad é compatível com os aplicativos do iPhone, que podem rodar em um modo centralizado ou (no caso dos aplicativos compatíveis) em ela cheia, aproveitando a maior área da tela. As funções para criar aplicativos compatíveis foram introduzidas na última versão do SDK, exigindo adaptações nos aplicativos.
O grande problema é que assim como no iPhone não existe suporte a multitarefa, de forma que não existe a possibilidade de rodar os aplicativos em janelas e os aplicativos são constantemente abertos e encerrados conforme você alterna entre eles.
A Apple também pretende transformar o iPad em uma plataforma de jogos, oferecendo versões portadas de jogos para o iPhone, juntamente com alguns títulos exclusivos, incorporando o uso de gestos, do acelerômetro e do uso da tela touchscreen.
É bem provável que muitos dos títulos ofereçam uma boa qualidade gráfica, mas é importante enfatizar que o iPad compartilha do mesmo acelerador gráfico do iPhone 3GS (operando apenas com um clock ligeiramente mais alto), por isso os recursos gráficos em uma tela de 1024x768 são limitados. Com relação aos jogos, o iPad está mais para um Nintendo DS do que para um Xbox 360. Não se empolgue muito com a foto abaixo, pois ela é apenas uma demonstração do conceito, feita no Photoshop:

Existem também alguns pontos importantes com relação ao espaço de armazenamento. O iPad não suporta o modo USB-Storage, o que impede que você o use como um pendrive para armazenar arquivos. No lugar da porta USB, é necessário transferir os arquivos via Wi-Fi.
Ele não possui também suporte para cartões USB e nem portas USB para o uso de pendrives ou HDs externos (a única porta de conexão é o conector padrão da Apple, que permite apenas a transferência de arquivos através do iTunes). A única exceção é o "Camera Connection Kit", que permite conectar o cartão de memória da câmera para visualizar fotos:

Feitas às apresentações, chegamos à inevitável conversa sobre valores. A versão mais simples do iPad, com 16 GB e Wi-Fi custa US$ 499 com valores progressivamente mais altos para as versões com mais memória flash. Existem também variações com um transmissor 3G embutido. Nos EUA foi feita uma parceria com a AT&T para um plano pré-pago de US$ 29 mensais, mas ele não é bloqueado e pode ser usado em conjunto com outras operadoras.

Estes preços são bastante altos considerando o mercado a que o iPad se propõe, já que é 50% mais caro que a maioria dos netbooks, cuja faixa média de preços fica em torno dos US$ 350 nos EUA. No Brasil a situação é ainda mais precária, já que incluindo os impostos, a versão de US$ 499 deve custar em torno de R$ 1900, com valores progressivamente mais altos para as outras versões.
Considerando que você pode comprar um bom notebook por menos de R$ 2000, ou um netbook por menos de R$ 1400, é muito difícil que o iPad consiga conquistar uma grande legião de usuários, mesmo sendo um produto da Apple.
Mesmo desconsiderando a questão do preço, temos ainda a questão da ergonomia. O grande problema dos netbooks é que apesar de compactos e baratos, eles oferecem um fraco desempenho e são desconfortáveis de usar por longos períodos, o que faz com que muita gente opte por continuar nos notebooks regulares. O iPad e outros tablets aumentam o conjunto de restrições, substituindo o teclado e o mouse pela tela touchscreen. Eles são confortáveis para ler e-books, mas o uso para outras tarefas exige uma curva de adaptação muito maior que a de um notebook, onde você precisa se adaptar apenas às dimensões reduzidas do teclado.
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2 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 29 de janeiro de 2010 às 06h20


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