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Asus P5VD2-X e dicas

Por Carlos E. Morimoto em 19 de julho de 2007 às 21h35

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Chipset e outros componentes

Existem rumores cada vez mais fortes de que a VIA está prestes a abandonar o mercado de chipsets, ou então a deixar de produzir chipsets para processadores Intel e AMD e passar a se dedicar apenas a chipsets para seus processadores C7.

Três sinais claros que apóiam a idéia são:
  • A VIA não lança um chipset atualizado para processadores Intel a quase dois anos.
  • Ela não licenciou o uso do FSB 1333MHz, passo necessário para produzir chipsets que ofereçam suporte à processadores que utilizam bus de 333 MHz.
  • A VIA ainda não renovou o acordo de licenciamento para a produção de chipsets para placas soquete 775, que vence em abril de 2008. Sem renovar o acordo, a VIA precisará descontinuar toda a sua linha de chipsets para processadores Intel.
Estes sinais são bastante claros, de forma que se a VIA não lançar um chipset atualizado ou não renovar os acordos de licenciamento nos próximos meses, é bem provável que a P5VD2-X acabe se revelando uma das últimas placas a utilizar um chipset VIA.

Com o crescimento dos boatos relacionados à VIA, a SiS se apressou em renovar seus acordos de licenciamento, de forma a afastar qualquer especulação. Pelo menos pelos próximos anos, podemos contar que os chipsets SiS continuarão presentes nas placas de baixo custo.

A ATI, por sua vez, foi comprada pela AMD como bem sabe e por isso é extremamente improvável que volte a produzir chipsets para placas Intel. Com a provável saída da VIA, acabamos perdendo dois dos principais fabricantes de chipsets Intel no mesmo ano.

Isso nos deixa com a Intel e a nVidia lutando pela supremacia e a SiS mantendo sua postura histórica de oferecer chipsets de baixo custo e qualidade condizente. Nos resta torcer para que a falta de concorrência não prejudique o lançamento de chipsets aprimorados, nem resulte em uma subida de preços.

Não é de hoje que a VIA troca pedradas jurídicas com a Intel em torno da produção de chipsets, mas sem dúvidas os anos de batalhas legais e o prejuízo para a reputação da empresa e a deterioração das relações com os fabricantes de placas (que obviamente não querem ter a Intel como inimiga) acabaram miniando a disposição da VIA em repetir a dose.

Tudo começou com a batalha jurídica em torno da licença sobre o barramento utilizado pelo Pentium 4, que durou até Abril de 2003.

Desde o Pentium II, todos os fabricantes de chipsets pagam royalties à Intel por cada chipset vendido. Em outras palavras, além de lucrar com a venda dos processadores e as vendas de seus próprios chipsets, a Intel lucra também com as vendas de chipsets dos concorrentes.

A VIA contestou o pagamento da licença, mas no final acabou cedendo, já que a pendenga judicial assustava os fabricantes de placas, que deixavam de comprar chipsets da VIA, com medo de serem processados pela Intel. Entre 2002 e 2003 a VIA chegou a vender placas sob sua própria marca, como uma forma de tentar preservar sua participação no mercado.

A primeira geração de chipsets foi baseada no VIA Apollo P4X266, que suportava memórias DDR-200 e DDR-266 (além de memórias SDRAM), até 4 GB de memória, AGP 4X e era compatível com a geração inicial de processadores Pentium 4 e Celerons com bus de 400 MHz.

Nos anos seguintes, o P4X266 recebeu diversas atualizações. A primeira foi o P4X266A, que trouxe melhorias no acesso à memória, seguida pelo P4M266, que incorporou um chipset de vídeo ProSavage e finalmente o P4X266E que trouxe suporte à segunda geração de processadores, que utilizavam bus de 533, além de passar a utilizar o chip VT8235 como ponte sul, que incluía suporte a USB 2.0 e ATA-133.

A segunda geração é composta pelos chipsets Apollo P4X400, P4X400A e P4X533. Como o nome sugere, os dois primeiros suportavam bus de 400 MHz, enquanto o P4X533 é a versão atualizada, com suporte a bus de 533 MHz. Eles utilizam uma versão atualizada do barramento V-Link (que interliga a ponte norte e sul do chipset), que passou a trabalhar a 533 MB/s, além de passarem a suportar memórias DDR-333 e AGP 8X.

Finalmente, temos os chipsets PT800 e PM800, que incluem suporte aos processadores Pentium 4 com core Prescott e a memórias DDR-400. Ambos utilizam o VT8237 como ponte sul e incluem o suporte a AGP 8X e outros recursos. A principal diferença entre os dois é que o P4M800 inclui um chipset de vídeo VIA Unicrome Pro e por isso é mais comum em placas de baixo custo.

Finalmente, temos a linha atual (e talvez a última), composta pelos chipsets PT890 e P4M890. A principal diferença entre eles e os antecessores é o suporte ao barramento PCI Express.
fig6
Apesar de originalmente terem sido desenvolvidos para uso em conjunto com o Pentium 4, ambos os chipsets oferecem também suporte aos processadores Core 2 Duo, já que o barramento utilizado é o mesmo. É necessário apenas que a placa mãe atenda às exigências com relação à alimentação elétrica.

A Asus P5VD2-X é baseada na combinação do VIA PT890 com o VIA VT8237A, utilizado como ponte sul. Aqui temos o diagrama de blocos do chipset:
fig7
O VIA PT890 é um projeto antigo e a maior parte das limitações da Asus P5VD2-X são resultado das limitações do chipset. Se o PT890 fosse um carro, ele seria um Fiat Uno: um projeto antigo, de baixo custo, que foi recebendo pequenas atualizações com a passagem do tempo e graças a isso sobrevive até os dias de hoje.

A primeira limitação é a presença de apenas duas portas SATA 150, complementadas por duas portas IDE ATA/133.

Antigamente, oferecer duas portas IDE era importante, já que os HDs IDE eram os mais comuns, mas, hoje em dia, os HDs IDE são cada vez mais raros e mais caros que os SATA, de forma que as portas IDE acaba sendo usadas apenas para a conexão do gravador e de HDs IDE trazidos de upgrades anteriores. Algumas pessoas realmente precisam de duas portas IDE, mas a maioria já pode perfeitamente sobreviver com apenas uma.

A carência de portas SATA, por sua vez, é um tema mais grave, já que é cada vez mais comum o uso de mais de dois HDs. Para amenizar o problema, a Asus completou as duas portas oferecidas pelo chipset com mais duas portas SATA 300, usando um controlador JMicron JMB363:
fig8
Assim como na M2V, uma das portas é posicionada próxima ao painel traseiro e a segunda foi transformada em uma porta External SATA, presente no painel ATX. Por mais ultrapassado que possa soar, a P5VD2-X inclui também uma porta paralela e uma porta serial, importantes para alguns:
fig9
O maior problema com este design é que temos dois pares de portas RAID separadas, sem integração entre sí. Ambas as controladoras oferecem suporte a RAID, mas apenas dentro de cada par. Ou seja, você pode criar um array entre dois HDs instalados nas duas portas frontais, ou entre o HD instalado na terceira porta e a porta external SATA. Não é possível criar um array com mais de dois discos a não ser via software, usando os utilitários incluídos no Linux ou Windows.

Diferente da Asus M2V (e outras placas), onde é usado um controlador Marvell 88SE6121 e as portas SATA extra não podem ser usadas para dar boot, na P5VD2-X as duas portas adicionais são bootáveis, de forma que você pode perfeitamente instalar o HD principal na terceira porta (SATA 300), deixando as duas portas frontais (SATA 150) para uso de HDs secundários.

Mais uma limitação do VIA PT890 é o uso de uma simples interface de rede 10/100, que é ultrapassada para os padrões atuais. A VIA oferece a "Velocity Gigabit Ethernet", um chipset gigabit que pode ser integrado à placa, substituindo o chipset 10/100, mas a Asus optou por utilizar um controlador Realtek RTL8110SC (também gigabit) no lugar dele:
fig10
Outra placa similar, mas baseada no chipset VIA P4M890 é a P5VD2-MX. O "M" a mais no nome faz toda a diferença, já que está uma placa micro-ATX, com vídeo onboard e rede 10/100:
fig11
O VIA PT890 é um chipset claramente ultrapassado. O motivo da Asus e outros fabricantes continuarem utilizando-o em algumas placas é simplesmente o fato da VIA não ter chipsets mais atualizados para oferecer.

A P5VD2-X possui uma boa construção e os "upgrades" feitos pela Asus, com a inclusão do controlador SATA JMicron e o chipset de rede gigabit amenizam algumas das limitações do chipset, sem entretanto eliminar o problema principal que é o fraco controlador de memória e o suporte a apenas 4 GB de memória RAM.

Devido ao chipset, o desempenho é inferior ao de placas como a P5N32 ou a P5WD2, baseadas em chipsets nForce ou Intel 9xx, sem falar da nova safra de placas baseadas no Bearlake.

O mérito da P5VD2-X é o fato de ser uma placa de baixo custo. Ela poderia ser combinada com um Celeron D ou mesmo Pentium D e alguma placa 3D de baixo custo para montar um PC destinado a jogos leves e uso geral, mas não seria aconselhável ao montar uma máquina mais parruda. Considere a compra apenas em casos onde a diferença de preço em relação às placas baseadas em chipsets nVidia ou Intel for considerável.

O maior risco em comprar uma placa baseada em um chipset VIA hoje em dia é o risco da empresa encerrar definitivamente a produção de chipsets e deixar de disponibilizar atualizações de drivers. A P5VD2 já inclui drivers para o Vista, como seria de se esperar, mas drivers atualizados são sempre importantes.

4 comentáriosPor Carlos E. Morimoto. Revisado 19 de julho de 2007 às 21h35

Comentários

Processador
por Anderson (anônimo) em 13 de maio de 2011 às 13h04
Pessoal, só para deixar registrado. Já comprei, instalei e estou ultizando o Core 2 Quad 6600, com a motherbord P5VD2-X. Fiquei satisfeito com o resultado.

Abraços.
instalar dual core 6600 na p5vd2-x por Marcio (anônimo)
dual core 6600 por Eduardo (anônimo)
PLACA MAE por Eduardo (anônimo)